Será removido o segredo pontifício sobre a ''relationem'' do Vatileaks?

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21 Fevereiro 2013

No início da próxima semana, Bento XVI poderia encontrar os três cardeais da Comissão de Investigação sobre o caso Vatileaks. O papa lhes agradecerá pelo trabalho desenvolvido pelo bem da Igreja e poderia remover o segredo pontifício do seu relatório, de modo que os conclavistas possam vê-lo nas congregações gerais.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vaticano Insider, 21-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O relatório dos três "sábios" que investigaram (os purpurados ultraoctogenários Julian Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi) certifica aquela "sujeira" que Joseph Ratzinger denunciara na famosa meditação da Sexta-feira Santa de 2005, que ele não conseguiu remover totalmente e que se esconde também na Cúria Romana, como demonstra o furto das cartas privadas no apartamento papal.

"É uma questão sobre a qual nós referimos ao papa exclusivamente", assegurou Herranz à Radio 24. "Certamente também se falou dessa hipótese por trás da renúncia do papa, mas eu acredito que é preciso respeitar a consciência das pessoas. A consciência das pessoas é o lugar sagrado de todo ser humano, são decisões que são tomadas no profundo da consciência e, como tais, devem ser respeitadas".

Quanto à denúncia do papa na cerimônia da Quarta-feira de Cinzas sobre o rosto deturpado da Igreja, Herranz comentou: "Certamente há divisões e sempre houve, assim como as violentas contraposições de linhas ideológicas. Não são coisas novas, mas têm um peso, sim".

Para Herranz, o novo papa deverá se colocar no rastro dos seus antecessores, fazer com que Cristo seja conhecido e amado, evangelizar. "As características da pessoa, como o pertencimento geográfico, o conhecimento linguístico, a idade, serão avaliadas, mas não serão decisivas na escolha dos cardeais".

Enquanto isso, a Santa Sé nega que o Vatileaks esteja na origem da renúncia papal. A determinação do pontífice não foi de modo algum influenciada pelo caso Vatileaks – esclarece o L'Osservatore Romano. O episódio, de fato, não perturbou o papa, nem o fez sentir o peso do seu ministério, mesmo que, para Bento XVI, se trate de um ato incompreensível. Na resolução do caso, para o pontífice, no entanto, é importante que tenha havido no Vaticano a independência da justiça e que não tenha se verificado a intervenção de um' monarca.

Nessa quinta-feira, o padre Lombardi observou que a comissão cardinalícia sobre o Vatileaks "fez o seu trabalho, fez o seu relatório, o entregou nas mãos do Santo Padre. Não estamos – acrescentou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé – correndo atrás de todas as ilações, fantasias, opiniões que são expressadas sobre isso. Não esperem comentários, confirmações, negações sobre pontos particulares".

Depois de ter informado que a linha acordada é que os cardeais não darão entrevistas, o padre Lombardi acrescentou que, pessoalmente também, não fará "comentários ou polêmicas sobre pontos particulares que – destacou – são fruto da responsabilidade de quem escreve essas coisas". O padre Lombardi acrescentou também uma "pequena curiosidade" sobre a manchete "dedicada a essas questões por um jornal italiano".

No artigo, observou, indica-se que o papa receberá uma comissão dos cardeais no último dia do pontificado e que a audiência geral da quarta-feira será realizada em Santa Maria Maggiore. Mas no programa dos dias do papa recém-publicado, observou Lombardi, não está agendada nenhuma audiência papal no dia 28 aos cardeais da comissão, nem uma visita a Santa Maria Maggiore.

O diretor da Sala de Imprensa explicou que fizera "essas observações para dizer que, se alguém lê essas poucas linhas, entende que não há uma competência sobre os assuntos vaticanos por parte de quem escreveu essas coisas". O padre Lombardi também observou que "é natural que, nestes dias, haja toda uma série de comentários que tendem a pressionar, apresentar situações em termos de conflito, organizações de grupos".

Isso, afirmou o padre jesuíta, "é algo previsível em uma situação desse tipo, mas na maioria dos casos vem de uma perspectiva que é totalmente estranha à Igreja".