O subcomandante Marcos adverte os poderosos sobre o “‘kaos’ que vem de baixo”

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Por: André | 24 Janeiro 2013

O Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) volta a se fazer ouvir. Depois de anunciar o retorno da agenda política zapatista em três extensos comunicados no final de 2012, o subcomandante Marcos voltou a assinar um texto no último domingo, no qual avisa os poderosos sobre o “kaos que vem de baixo” e lança uma advertência: “Marichiweu” [Venceremos, em mapuche].

A reportagem foi publicada no jornal espanhol El País, 21-01-2013. A tradução é do Cepat.

O comunicado, intitulado “Eles e nós/I. As (des)razões de cima”, imita o monólogo de alguns supostos entrevistados. “Somos nós que mandamos. Somos mais poderosos, embora sejamos menos. Não nos importa o que digas-escutas-penses-faças, sempre e quando estás mudo, surdo, inativo. Podemos impor como governo pessoas medianamente inteligentes (embora já seja muito difícil encontrá-los na classe política), mas escolhemos um que sequer pode simular que sabe do que se trata. Por quê? Porque podemos fazê-lo”, começa.

“Isso é ter o Poder”, continua a carta, “[...] fazer e desfazer sem ter outra razão que a posse do Poder. E não importa quem aparecer na frente, ocultando-nos. Direita e esquerda são apenas referências para que o motorista estacione o carro. A máquina funciona por si só [...] Governos grandes, médios e pequenos, de todos os espectros políticos, além de intelectuais, artistas, jornalistas, políticos, hierarcas religiosos, disputam o privilégio de nos agradar”, acrescenta.

O texto do subcomandante acusa o Exército, a polícia e a Justiça do México de não perseguir os “verdadeiros criminosos” e destaca que “os de cima” semearam “o ódio, o cinismo, o rancor, a falta de esperança, o valemadrismo teórico e prático, o conformismo do ‘mal menor’ e o medo feito resignação”. Mas matiza: “E, no entanto, tememos que isso se transforme em raiva organizada, rebelde, sem preço [...] o kaos que vem de baixo... Ah, esse... nem sequer entendemos o que dizem, quem são, quanto custam”. Adverte: “o que é um perigo, um caos verdadeiro é que cada um se faça coletivo, grupo, quadrilha, raça, organização, e por sua vez aprenda a dizer não e a dizer sim, e que se ponham de acordo entre si”.

No final do comunicado, os entrevistados fictícios descobrem “algo pintado no portão de entrada do jardim”. “Não sabemos se é uma chave ou uma dessas raras línguas faladas pelos “proles”. Sim, é uma só palavra, mas não sabemos por que produz calafrios em nós. Diz: “Marichiweu!”.

O subcomandante, que até os comunicados finais de 2012 estava quase há dois anos sem assinar textos longos, anunciou então que logo será dada a conhecer “uma série de iniciativas, de caráter civil e pacífico, para continuar caminhando junto com os outros povos originários do México e todo o continente, e junto com aqueles que, no México e no mundo inteiro, resistem e lutam em baixo e à esquerda”. Sua advertência veio dias depois da mobilização silenciosa de dezenas de milhares de zapatistas em cinco cidades de Chiapas.