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08 Outubro 2012

Após enfrentar um câncer no último ano e uma campanha disputada, Hugo Chávez ganhou ontem mais seis anos de mandato na Venezuela para, em suas palavras, tornar "irreversível" a implementação do socialismo no país.

Chávez, 58, obteve 7,4 milhões de votos (54,42%), contra 6,1 milhões (44,9%) de Henrique Capriles, 40.

A reportagem é de Flávia Marreiro e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 08-10-2012.

Ex-governador do populoso Estado Miranda, Capriles representa uma mudança geracional no antichavismo e comandou as maiores reuniões populares opositoras desde 2004.

No final da noite, o presidente, que chegou ao poder em 1999 e completará 20 anos na Presidência em 2019, surgiu na sacada do Palácio Miraflores e foi saudado por uma multidão.

Juntos, cantaram o hino venezuelano. Chávez fez um discurso conciliador, em que "estendeu as duas mãos e o coração" ao rival.

"É um passo importante para construirmos a paz na Venezuela", disse.

A diferença de quase 10 pontos para Chávez é significativamente menor que os 26 pontos de vantagem que teve nas presidenciais de 2006.

O esquerdista, no entanto, recuperou votos em relação às eleições parlamentares de 2010, quando houve praticamente empate no voto geral entre governo e oposição.

A participação nas eleições de ontem foi alta, de 80,9% do eleitorado -o voto não é obrigatório no país-, com 90% das urnas apuradas.

A votação foi lenta,mas não houve incidentes graves. Em alguns locais, as filas começaram a se formar de madrugada. Muitos eleitores se prepararam para a espera levando banquinhos de plástico ou cadeiras de praia.

Alguns opositores acusaram o conselho de criar uma "operação tartaruga" ao adicionar um passo no processo eleitoral -a passagem por um ponto de informação no local de votação para ser direcionado à seção específica.

No decorrer da jornada, o Conselho Nacional Eleitoral flexibilizou a norma.

COMUNAS E VICE

No novo mandato, analistas não esperam que Chávez faça mais mudanças nas regras legais no nacionalizado setor petroleiro.

O governo precisa de investimento privado na faixa do Orinoco, onde estão as maiores reservas do combustível do mundo, para seguir financiando o gasto público de seu projeto socialista.

O "aprofundamento" do socialismo deve aparecer na implementação do chamado "estado comunal", o fortalecimento de conselhos de vizinhos em detrimento de prefeituras e governos estaduais. Os marcos legais das comunas já estão aprovados.

Sobre o novo mandato até 2019 pairam ainda dúvidas sobre a saúde de Chávez.

O presidente passou por três cirurgias para tratar um câncer do qual não divulga detalhes e ainda há rumores de que seu real estado de saúde é pior do que ele anuncia.

Quem será seu vice no novo mandato é incógnita que tem data para terminar. Na Venezuela, o vice é nomeado pelo presidente. Elias Jaua, atualmente no cargo, havia sido designado por Chávez para concorrer ao governo do Estado de Miranda e as inscrições para as eleições regionais de dezembro terminam neste mês.

REAÇÃO

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, comemorou o resultado no Twitter: "Hugo, você arou a terra e hoje fez a colheita".

Já a blogueria cubana dissidente Yoani Chávez tuitou: "A lição de civismo que nos deram os venezuelanos está no alto comparecimento [às urnas] e em não perder a esperança".