Democratas põem casamento gay em plano de governo

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05 Setembro 2012

Além de lançar oficialmente a candidatura à reeleição do presidente Barack Obama, a Convenção Nacional Democrata, na Carolina do Norte, entrará para história como a primeira vez em que um partido político dos EUA coloca em sua plataforma a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O tema já era defendido por Obama e vários líderes democratas. Agora, virou parte do projeto de governo.

A reportagem é de Denise Chrispim Marin e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 05-09-2012.

Aprovada ontem, a plataforma democrata evidenciou a polarização política nos EUA. O contraste com o documento republicano, divulgado no dia 29, na Flórida, é gritante não só em temas relacionados à economia débil e ao endividamento federal, mas especialmente nas agendas social e de direitos civis.

De forma geral, os democratas aceitam o aborto e o casamento entre homossexuais, enquanto os republicanos repudiam. Os primeiros defendem a redução de impostos para a classe média, enquanto os seus opositores querem manter o privilégio para os mais ricos. Os aliados de Obama querem legalizar boa parte dos imigrantes clandestinos, mas os simpatizantes de Mitt Romney falam em deportação.

O candidato republicano atacou ontem os democratas por terem retirado de seu plano de governo uma referência a Jerusalém como capital de Israel. A parte leste da cidade santa foi ocupada pelos israelenses em 1967 e é reivindicada por judeus e palestinos. Nos anos anteriores, a plataforma democrata defendia Jerusalém como território israelense, mas este ano, sem explicar por que, o tópico foi suprimido.

Segundo Romney, "as tentativas de Obama de afastar os EUA de nosso querido aliado levaram" o Partido Democrata a mudar de posição. "Se for presidente, retomarei a relação com Israel e permaneceremos ombro a ombro com nosso aliado", disse o republicano.

Direita volver

Norman Ornstein, coautor do livro É Pior do que Parece: como o Sistema Constitucional Americano Colide com a Nova Política de Extremismo, afirma que a radicalização é mais evidente do lado republicano. Nos últimos anos, influenciado pelos ideólogos do Tea Party, o partido deu uma guinada à direita, especialmente em questões morais e fiscais. O reflexo foi visto no Congresso, onde projetos da Casa Branca em favor de novos estímulos fiscais e cortes menos profundos nos gastos sociais acabaram bloqueados.

A plataforma democrata, entretanto, não arreda o pé de suas posições, ainda muito distantes dos valores de uma autêntica esquerda e mais parecida com as posições de centro no Brasil e na Europa. Repete várias de suas promessas de 2008 - como no caso da política de imigração - ainda não cumpridas. E traz claramente o compromisso de acabar com a guerra no Afeganistão em 2014, tópico esquecido pelos republicanos.

Polarizado desde o ano passado, quando o desacordo sobre o teto da dívida pública provocou o inédito rebaixamento da avaliação de risco de crédito dos EUA, o debate na área fiscal entre Congresso e Casa Branca será duro daqui para frente, seja Obama ou Romney o novo presidente. A plataforma democrata promete "prorrogar os alívios tributários para as famílias de trabalhadores e para os que estão pagando seus estudos na universidade".