A marcha dos indignados mexicanos ao Congresso

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Por: Jonas | 04 Setembro 2012

No México, ontem, milhares de pessoas marcharam e se concentraram em frente ao Palácio Legislativo, onde se inaugurou a nova configuração do Congresso mexicano. Os motivos dos protestos foram a gestão Calderón e a ratificação da vitória de Enrique Peña Nieto, que resulta no retorno do PRI ao governo, depois de 12 anos.

A reportagem é publicada pelo jornal Página/12, 02-09-2012. A tradução é do Cepat.

Nas ruas da Cidade do México, diferentes contingentes avançaram para o Congresso. Estudantes do movimento #YoSoy132 [Eu sou 132], professores da Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação e o Sindicato Mexicano de Eletricistas, entre outras organizações. “Uma época cheia de fome, exclusão, desinformação, desigualdade, enfermidade, despojo, repressão e morte”, resumiu um membro do coletivo, que leu um denominado “contrarrelatório” do governo, documento elaborado para fazer um balanço dos seis anos do candidato do Partido Ação Nacional (PAN). “Calderón é responsável por estes seis anos de decisões tomadas por trás da sociedade”, sentenciou o documento. “Foi a continuidade de um sistema corrupto, onde alguns impõem seus interesses sobre as necessidades dos demais”, acrescentou.

Durante a marcha, os estudantes leram duas vezes o contrarrelatório que contava com pontos centrais, como a exigência de uma democratização dos meios de comunicação, uma nova forma de vinculação com movimentos sociais e mudanças no modelo educativo, no modelo econômico neoliberal, em saúde, em segurança pública e Justiça. Tiveram, também, mensagens para o futuro mandatário mexicano, Enrique Peña Nieto. “Com Peña Nieto, sabemos que este sistema simplesmente adotará um novo rosto e outra vez, nós, a sociedade, pagaremos os custos impostos por esta classe política”, disse o documento. Além disso, o coletivo incentivou a sociedade, em geral, a estabelecer um diálogo e se unir numa luta fraterna pela transformação do México.

Os manifestantes, também, fizeram-se ouvir. “Somos contra a imposição de Enrique Peña Nieto”, discursou de um alto-falante um dos participantes na marcha. “México sem PRI”, gritaram outros manifestantes.

Um dia depois que o máximo Tribunal Eleitoral declarou Peña Nieto presidente eleito – depois de dois meses de impugnações pelo líder de esquerda Andrés Manuel López Obrador – ontem, iniciou o ano político mexicano com a primeira sessão do Congresso que celebrou o “primeiro período de sessões extraordinárias”, com aproximadamente mil militares e agentes antimotins protegendo a instalação legislativa dos manifestantes.

Nesta cerimônia, o Parlamento recebeu o sexto e último relatório do governo de Calderón, entregue por escrito, três meses antes de deixar a casa presidencial de Los Pinos, num procedimento que, há seis anos, deixou de lado a cerimônia em que o mandatário comparecia anualmente a Câmara de Deputados para transmitir sua mensagem à nação. Sem a presença do presidente, estava previsto que na sessão cada um dos partidos políticos emitisse sua postura sobre o balanço de um governo marcado pela política de segurança, baseada na ofensiva militar contra o narcotráfico, que deixou mais de 50 mil mortos no país.

O tom destes pronunciamentos começou a ser sentido na quarta-feira, quando os deputados do esquerdista Movimento Progressista, segundo partido na Câmara de Deputados, estenderam faixas contra a “imposição de Peña Nieto” e a “compra de votos”, ao assumirem seus cargos. Na Câmara de Deputados, que conta com 500 parlamentares, o PRI conseguiu 37,99% das cadeiras, em aliança com o Partido Verde, enquanto que na Câmara Alta, que conta com 128 senadores, a aliança ficou com 37,88%. Porém, para realizar as reformas constitucionais, desejadas por Peña Nieto, em matéria energética, fiscal, trabalhista e social, o partido governante precisará do voto de três quartos dos parlamentares em ambas as Câmaras.

Segundo uma pesquisa publicada pelo jornal “Reforma”, no último período de seu governo, Calderón tem a aprovação de 64% dos mexicanos e é avaliado de maneira favorável nas áreas de saúde e educação. No entanto, é reprovado pela metade dos cidadãos em matéria de combate à corrupção e predominam opiniões desfavoráveis em relação à segurança pública, economia, emprego e pobreza. Para fazer um balanço de sua gestão, hoje, o mandatário fará um discurso perante convidados especiais, no Palácio Nacional.

Por sua parte, na sexta-feira, Peña Nieto convocou à unidade e prometeu um governo aberto ao diálogo. “O México terá uma presidência moderada, responsável e aberta à crítica, disposta a escutar e levar em conta todos os mexicanos”, afirmou ao receber o registro de presidente eleito. Adiantou, também, que enviará ao Congresso iniciativas para a criação de uma instituição anticorrupção e outra de supervisão na contratação de publicidade governamental em meios de comunicação.

A esquerda mexicana, que impugnou o resultado da eleição de primeiro de julho, argumentou que houve compra de votos e parcialidade dos meios de comunicação em favor de Peña Nieto, uma ação rejeitada pelo Tribunal Eleitoral.