A mensagem confidencial de Fellay

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17 Abril 2012

O superior da Fraternidade São Pio X escreve aos padres: estamos à espera, e o acordo só será feito se não nos pedirem concessões que toquem a fé e que nos garantam liberdade real.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 16-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O superior-geral da Fraternidade São Pio X, bispo Bernard Fellay, na noite do dia 14 de abril, tomou papel e caneta para enviar uma mensagem confidencial aos outros três bispos e a todos os sacerdotes pertencentes ao grupo lefebvriano, reafirmando o estado das relações com a Santa Sé.

Fellay, referindo-se aos boatos da imprensa sobre a possível solução positiva do diálogo com Roma, teria explicado que, neste momento, ainda não ocorreu nada de definitivo, nem na direção do reconhecimento canônico, mas também não na direção de uma ruptura, e, portanto, eles se encontram em uma fase de espera.

O bispo, segundo relatos recolhidos pelo Vatican Insider, quis reiterar aos padres da Fraternidade o que ele já havia escrito há alguns dias, lembrando os dois princípios que guiam os lefebvrianos nas relações com Roma: o primeiro é que não sejam pedidas à Fraternidade concessões que toquem a fé e o que dela deriva (liturgia, sacramentos, moral e disciplina). O segundo é que seja concedida uma real liberdade e autonomia de ação à São Pio X, que lhe permite viver e se desenvolver.

Como interpretar essa mensagem do superior lefebvriano? Acima de tudo, é interessante notar que não é negada a possibilidade de uma solução positiva, que muitas fontes – seja entre as pessoas próximas à Fraternidade São Pio X, seja entre as pessoas próximas ao Vaticano – já dão por provável e iminente.

Fellay, que sabe que possui em seu interior uma rebelião interna abertamente contrária ao acordo (estimada em torno de 25%, mas que inclui também, embora com posições diferenciadas, os outros três bispos, Williamson, Tissier de Mallerais e Gallareta), provavelmente quis tranquilizar os seus interlocutores internos sobre o fato de que o enquadramento canônico e o retorno à plena comunhão ocorrerá segundo essas duas condições por ele já enunciadas publicamente nas últimas semanas.