Peru. Mineradora pretende retomar atividades, religiosos contestam

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05 Março 2012

O Conselho Nacional Evangélico do Peru (Conep) e o Arcebispado de Huancayo questionaram e expressaram indignação diante da tentativa da mineradora norte-americana Doe Run de retomar as operações em Oraya, sem cumprir com ajustes de proteção ao meio ambiente, depois de 1 mil dias parada.

A reportagem é de Rolando Pérez e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 03-03-2012.

A empresa teve que paralisar as atividades porque a planta metalúrgica de Oraya provocou contaminação no meio ambiente. Sem cumprir com os compromissos, a Doe Run pediu novos prazos para a apresentação de um Programa de Adequação e Manejo Ambiental (Pama).

"Não podemos calar porque este novo descumprimento é um atropelo à dignidade e à saúde das pessoas da Oroya e dos trabalhadores do Complexo Metalúrgico que se vêem obrigados a trabalhar em condições letais à sua integridade", diz comunicado do arcebispado de Huancayo.

O Conep argumentou que “a proposta da opção entre a saúde ou o trabalho, proposta por alguns líderes políticos para resolver o problema, é não só irresponsável, mas também perversa, porque o que realmente está em jogo é a vida das pessoas que o Estado tem a obrigação de defender acima de qualquer outro interesse econômico privado”.

Estudo realizado pela Universidade de St. Louis,  Estados Unidos, USA, mostrou que nos anos em que a empresa operou na região mais de 90% das crianças de Oroya apresentaram níveis excessivos de chumbo em seus corpos. Os níveis de dióxido de enxofre no ambiente, que provoca chuva ácida, atingiram a marca recorde de 27.000 partes por metro cúbico, quase 100 vezes acima do limite estabelecido pela lei peruana.

A contaminação em Oroya foi comparada à  provocada pelo acidente de Chernobil e aparece entre os dez locais mais  poluídos do mundo, segundo listagem do Instituto Norte-americano Blacksmith.

As instituições eclesiásticas animam cristãos a não se calarem frente essa nova expressão da maldade e a impunidade. Também apelam à cidadania, para que siga vigiando, para que as autoridades tenham a firmeza moral de enfrentar o problema e buscar uma solução.