O clima errado para grandes barragens

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31 Janeiro 2012

Novo Tour em ambiente Google Earth revela como boom global na construção de barragens poderá agravar a crise climática.

A reportagem foi publicada no sítio Amazônia, 08-02-2012.

International Rivers e Amigos da Terra-Internacional se uniram para criar um novo tour e vídeo em Google Earth narrado pelo ativista nigeriano Nnimmo Bassey, vencedor do prestigiado Premio Pela Vida Correta (Right Livelihood Award).

A produção foi lançada no primeiro dia da COP 17, em Durban, África do Sul. O vídeo e o tour permitem que os internautas explorem por que as barragens não são a resposta correta às mudanças climáticas, através de visualizações sobre temas como as emissões de gases de efeito estufa de reservatórios, segurança de barragens, e adaptação à mudança climática, por meio de estudos de caso na África, nas Himalaias e na Amazônia.

A produção Google Earth ilustra três grandes motivos para se concluir que as grandes hidrelétricas, embora caracterizadas por seus proponentes como “energia limpa” são uma resposta equivocada para as mudanças climáticas. As vazões dos rios estão cada vez mais imprevisíveis. A construção de grandes barragens têm sido sempre baseada na suposição de que os futuros padrões de fluxo d’água irão se espelhar no passado, mas isso é cada vez mais longe da verdade. As mudanças climáticas já começam a mudar significativamente e de forma imprevisível as padrões de precipitação. Secas mais frequentes afetam fortemente a rentabilidade de muitas hidrelétricas. Episódios extremos de alta precipitação aumentam o risco de falhas em barragens e o potencial de inundações catastróficas.

Rios saudáveis são fundamentais para sustentar a vida na Terra. Grandes barragens tornam mais difícil para os seres humanos e ecossistemas a jusante se adaptarem a mudanças climáticas, pela redução da qualidade e quantidade da água, com fortes impactos sobre matas ciliares, igapós e outras zonas úmidas, além da inundação de terras produtivas e graves consequências para atividades de pesca que sustentam populações locais.

Os reservatórios de grandes barragens, especialmente nos trópicos, emitem quantidades muito significativas de gases de efeito estufa, inclusive o metano. Em contraste, os rios saudáveis, sem barragens, desempenham um papel crucial na captura do carbono.

O tour ilustra como o derretimento das geleiras nas Himalaias – um dos reflexos das mudanças climáticas globais – pode aumentar as inundações e os riscos de segurança para comunidades que vivem a jusante das barragens. O tour mergulha ao espectador na profundidade de um dos reservatórios mais sujos do Brasil, da Usina de Tucuruí, para visualizar como o material orgânico em decomposição produz o gás metano, muito mais potente do que o CO2, nos reservatórios e vertedouros. Finalmente, o tour demonstra projetos inovadores descentralizados – com enorme potencial para atender de forma mais eficiente as necessidades de energia e água na África, reduzir os riscos econômicos de barragens vulneráveis secas, e proteger os rios que são essenciais para a vida de todos nós.