Mujica, longe da elite e sem encantar o povo uruguaio

Mais Lidos

  • Jesuíta da comunidade da Terra Santa testemunha o significado da celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo em uma região que se tornou símbolo contemporâneo da barbárie e do esquecimento humano

    “Toda guerra militar é uma guerra contra Deus”. Entrevista especial com David Neuhaus

    LER MAIS
  • Sábado Santo: um frio sepulcro nos interpela. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • A ressurreição no meio da uma Sexta-feira Santa prolongada. Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Janeiro 2012

Na madrugada de 6 de setembro de 1971, um grupo de 111 integrantes do Movimento Tupamaro conseguiu escapar da prisão de Punta Carretas, em Montevidéu, através de um túnel de cerca de 45 metros construído durante vários meses pelos guerrilheiros, entre eles, o atual presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, e seu ministro da Defesa, Eleuterio Fernández Huidobro, que mais tarde relatou o feito no bestseller "A fuga de Punta Carretas". A operação, conhecida no país como "O abuso", ganhou menção até mesmo no Livro Guinness como recorde de uma fuga de presos no século XX.

A reportagem é de Janaína Figueiredo e publicada pelo jornal O Globo, 15-01-2012.

O cenário de uma das ações mais ousadas dos tupamaros, que na década de 80 abandonaram as armas e em 2010 chegaram ao poder, se transformou num dos shoppings mais badalados da capital uruguaia. Hoje, Punta Carretas é uma das regiões mais nobres da cidade, que pouco tem a ver com o bairro no qual os anarquistas, na década de 30, e Mujica e seus colegas tupamaros, nos anos 70, protagonizaram fugas cinematográficas.

A construção do shopping, em meados da década de 90, transformou Punta Carretas num dos bairros preferidos da elite uruguaia. A poucos quarteirões do gigantesco centro comercial vive, por exemplo, o ex-presidente Julio Maria Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), do tradicional Partido Colorado.

Promessa de atrair imigrantes


Já o presidente Mujica, que durante a última ditadura (1973-1985) passou 14 anos preso e foi brutalmente torturado, mora numa humilde chácara de 35 hectares localizada a cerca de 20 quilômetros da capital uruguaia, na região de Rincón del Cerro.

Em termos políticos, a distância entre o ex-líder tupamaro e a elite de seu país também é grande. Passados quase dois anos de sua histórica posse, em março de 2010, Mujica continua sendo um presidente difícil de digerir para as classes altas uruguaias, que não aceitam sua aversão ao protocolo, sua linguagem popular e estilo de homem do campo. A principal base de apoio do presidente, assegura o analista político Ignácio Zuasnábar, da empresa de consultoria Equipos Mori, são as classes populares.

Mujica é um fenômeno de representação política dos setores humildes.