''É possível conciliar o Alcorão e a liberdade''. Entrevista com Itamar Rabinovich

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14 Dezembro 2011

"O Islã e a democracia são conciliáveis. Os dois termos não estão em contradição. Basta olhar para nações como a Indonésia ou a Turquia...". Para Itamar Rabinovich, estudioso israelense da política árabe, que leciona em Tel Aviv e Harvard, não existem países menos democratizáveis enquanto muçulmanos: "O problema surge quando o Islã se torna refém de movimentos radicais, como os salafistas, que são antidemocráticos por definição".

A reportagem é de Francesco Battistini, publicada no jornal Corriere della Sera, 11-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

É possível inserir forças islâmicas em uma democracia liberal de tipo ocidental? Ou deveríamos pensar em outra forma de Estado?


Depende. O modelo turco, evidentemente, é melhor do que o egípcio, mas porque ali foi completada a construção de um Estado moderno, em que as forças seculares e religiosas se enfrentam em igualdade de condições. Se a democracia é forte, os Irmãos Muçulmanos também podem estar nela. No Líbano, com o Hezbollah, tentou-se isso. Mas o sistema era muito fraco em 2005, quando os liberais venceram. E para a Síria e o Irã foi uma brincadeira favorecer a reviravolta antidemocrática, levado ao poder os islamitas. Se o Líbano fosse uma democracia plena, o Hezbollah teria que se adaptar às regras. Sem sonhar com o Estado teocrático.

Por que o Islã moderado está na fogueira?

Porque não sabe como enfrentar a modernização, a pobreza e o analfabetismo que afligem o mundo muçulmano. Assim, fica fácil de os radicais se inserirem.

Quando o Hamas tomou o poder em Gaza, o Ocidente se arrependeu de ter desejado as eleições de 2006. "Faço vocês votaram se ganhar quem eu disser": não é muito cômodo?

Os radicais passam quando os moderados não são apresentáveis: mais do que o Hamas ganhar, foram os líderes corruptos do Fatah que perderam. E o erro de Bush foi o de pensar que a democracia era só ir às urnas. As eleições em si não bastam: antes, são necessários uma sociedade civil, direitos iguais para as mulheres, liberdade de pensamento... Um Estado completo, em suma.

E até lá o que se faz? Os muçulmanos devem manter seus ditadores?

No longo prazo, é preciso otimismo: as revoluções árabes levarão a democracias mais sólidas. Vejam-se a Tunísia ou o Marrocos. No Egito e na Líbia, o percurso é mais difícil. Mas é um erro pensar que esses países não têm os nossos mesmos sonhos de democracia. Para ver os resultados, os homens têm a mesma paciência da história.