Ocupação pode acentuar "marcha para o oeste"

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Novembro 2011

Traficantes destituídos de territórios que antes dominavam e policiais corruptos desmamados das propinas recebidas rotineiramente de criminosos formam um possível novo cenário de dificuldades para a segurança do Rio, com viés de agravamento após a ocupação da Rocinha. A tomada da favela que as facções criminosas tinham como mais lucrativa para seu "negócio" completa a política do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) para o tráfico na região, encarada como fundamental para a segurança de eventos como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Tende, porém, a "exportar" para outros bairros, mais distantes das áreas centrais, os criminosos e seus "sócios" na máquina do Estado.

A reportagem é de Wilson Tosta e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 13-11-2011.

Marcado alternadamente desde os anos 1980 por discursos social e de confronto por parte das autoridades, esse relacionamento ganhou aos poucos, no atual governo, nova doutrina informal: a da contenção das quadrilhas. Trata-se de uma espécie de meio termo, sintetizado na repetição, até pelo secretário de Segurança, José Marino Beltrame, da assertiva "É impossível acabar com o tráfico". Ela reconhece que, mesmo com presença policial maciça, traficantes continuarão a agir, embora de forma enfraquecida, limitada e discreta, longe do caráter ostensivo que marca sua atuação há pelo menos 20 anos no Rio.

O fim do domínio territorial armado nas comunidades pobres da área mais rica da cidade, contudo, pode ter um efeito colateral: "espremer" ainda mais os criminosos na zona oeste da capital e nas cidades da periferia. Sem os antigos (e mais lucrativos) territórios, os comandos criminosos tenderão a se agrupar (e disputar) nas regiões mais pobres que ainda dominam e a acentuar sua presença em outros "negócios" ilegais, como a venda de gás, de proteção e de sinal pirateado de TV a cabo. Policiais que perderam o gordo suborno das mesmas áreas também poderão empreender uma "marcha para o oeste", onde grupos de milicianos já exploram esses mesmos negócios, disputando território com o tráfico.

Sobram criminosos e começa a faltar território para o domínio aberto no Rio em áreas mais distantes, nas quais as UPPs são apenas promessas.