"É melhor confiar em Assis 2011"

Mais Lidos

  • A ferrovia bioceânica Brasil-Peru promete agilizar o comércio com a China. Mas a que custo?

    LER MAIS
  • “Se a UE impusesse a Israel a metade das sanções que impõe à Rússia, salvaria milhares de palestinos”. Entrevista com Ilan Pappé

    LER MAIS
  • “As ideias de Yarvin e de outros são um absurdo, mas as prescrições liberais do mundo seguem linhas semelhantes". Entrevista com Carlos Fernández Liria

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

12 Outubro 2011

Em menos de três semanas, no próximo 27 de outubro, Bento XVI viajará para Assis para celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro inter-religioso de oração pela paz.

A reportagem é de Jean-Marie Guénois, publicada no sítio Vatican Insider, 11-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desejada por João Paulo II, a iniciativa havia perturbado alguns ambientes católicos, começando com o cardeal Ratzinger, preocupado com o risco de "sincretismo", forma religiosa que mistura doutrinas em que tudo parece estar no mesmo plano.

Dirigindo o olhar para o campanário de São Francisco, são muitas as pessoas que se alegram em ver Bento XVI seguir "finalmente" os passos do seu antecessor pelo árduo caminho do diálogo inter-religioso.

No entanto, o mesmo farol de pedras brancas gera críticas duras em outros. Particularmente, nos ambientes integralistas que consideram um "sacrilégio" ver o papa se rebaixar ao nível das outras religiões.

Seria melhor, no entanto, que confiássemos em Assis 2011. Esse "vinho", refinado pela maturação do tempo, poderia surpreender.

Alguns poderiam ficar fortemente decepcionados com a prudência de Bento XVI sobre o diálogo inter-religioso enquanto tal. Diálogo simpático no espírito, mas sem temáticas teológicas sérias.

Outros poderiam se tranquilizar pela reafirmação, sutil mas clara, da proeminência da revelação cristã sobre as outras religiões. Em linha direta com o documento Dominus Jesus – sequência distante mas certa do primeiro encontro de Assis –, publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Ratzinger era prefeito. Esse texto reafirmava o primado de Cristo e da Igreja Católica a despeito dos protestantes.

Outros ainda, por fim, não ficarão surpresos ao perceber que o novo eixo, proposto por este papa, não é tanto o diálogo entre as religiões, mas sim o diálogo entre as culturas resultantes dessas religiões. Uma diluição consideravelmente importante.

Quando se dissipa, a névoa da Umbria, a região de Assis, não revela necessariamente o clima esperado.