Igreja na Polônia. "Está em curso um processo de secularização"

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11 Outubro 2011

A deputada europeia Lena Kolarska-Bobinska acredita que a Igreja como instituição está perdendo influência na Polônia, mas que o sentimento religioso irá perdurar.

A reportagem é de Antoine Faure, publicada no jornal La Croix, 07-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Há um movimento de secularização na Polônia?

Nos anos 1990, os vários partidos eram próximos à Igreja. Mas a situação mudou, passados 20 anos. Agora, 33% dos poloneses afirmam não confiar mais na Igreja, um número cada vez maior. Os poloneses estão fartos da instrumentalização. O exemplo flagrante remonta ao ano passado, depois do acidente do Smolensk que provocou a morte do presidente Kaczynski. As estreitas relações entre a Igreja e o seu partido, o PIS, dirigido pelo seu irmão gêmeo, estão cada vez mais evidentes. As pessoas não gostam mais disso. Entre a história da cruz de madeira do palácio presidencial e as eleições de domingo, onde se encontrarão muitos padres candidatos pelo PIS, há uma exasperação por parte da população.

Como o clero reage diante dessa perda de influência?

A Igreja não muda realmente. Continua se ocupando da política. As coisas não mudaram e não vão mudar por enquanto.

A Igreja perdeu a sua influência sobre a sociedade?

Não exatamente, ou melhor, ainda não. A Igreja ainda é muito poderosa na Polônia, particularmente junto às instituições. Mas, com relação aos jovens, a sua influência é cada vez mais fraca, isso é certo. A tendência é a mesma aqui como em outros países da Europa. O processo de secularização iniciou mais tarde e certamente é mais lento, mas pouco a pouco a Polônia irá se tornar semelhante aos países vizinhos.

A quem ou a que os poloneses se voltam agora?

É preciso distinguir. Muitas pessoas ainda acreditam em Deus, mas já não precisam especificamente da instituição. Trata-se sempre do problema da instrumentalização.

O crescimento nas pesquisas do partido Ruch Palikota, abertamente anticlerical, é uma consequência dessa mudança na sociedade?

Esse novo partido faz mover as coisas. É inegável que ele abriu uma brecha. Pelo menos 10% da população concordam com as suas ideias. Agora, as pessoas não têm mais medo de criticar as posições da instituição eclesial. Será mais fácil para muitas pessoas.