08 Mai 2011
O afastamento forçado de um bispo australiano que levantou a possibilidade de ordenar mulheres como solução para a severa falta de padres no país foi "inapropriado e injusto", de acordo com um comunicado do site da Ordem Vicentina da Austrália.
A reportagem é de Tom Roberts, publicada no sítio National Catholic Reporter, 04-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A declaração de apoio ao bispo William Morris (foto), da diocese de Toowoomba, a oeste de Brisbane, foi assinada pelo padre vicentino Tim Williams e é a mais recente em uma demonstração de forte apoio de seus colegas do clero.
O programa "PM", da rede Australia Broadcasting Corporation, informou que várias centenas de pessoas reuniram-se no dia 3 de maio, "no clima úmido perto de St Patrick`s, a catedral católica de Toowoomba, para mostrar seu apoio ao bispo demitido, Bill Morris".
Pat Nunan, identificado como um paroquiano católico, disse ao programa de rádio que "esse é um apoio espontâneo ao bispo Bill Morris. Todos na comunidade ainda estão em choque e têm muita raiva como resultado disso. Esperamos que a vigília desta noite, a caminhada, dissipe a raiva, mas, ao mesmo tempo, concentre as orações por Dom Bill, agradecendo-o".
Uma declaração do Conselho Nacional dos Presbíteros da Austrália disse que a organização está "envergonhada com o desprezível tratamento dispensado a um excelente pastor desta diocese". O grupo disse estar "revoltado com a falta de transparência e de devido processo legal que levou a essa decisão" e manifestou sua preocupação com "um elemento dentro da Igreja cuja ideologia restauracionista quer reprimir a liberdade de expressão" dentro da Igreja.
"Bill Morris tem sido respeitado em sua diocese por muitos anos e merece um tratamento melhor do que esse", escreveu Williams. "Mas, como muitos bispos, clérigos e leigos, ele tem sido objeto de críticas por parte de um pequeno número de cães de guarda litúrgicos e doutrinais autoproclamados que, embora geralmente ignorantes diante do verdadeiro significado da liturgia, da doutrina da Igreja e das necessidades pastorais, veem isso como seu chamado a correr ao encontro das simpáticas autoridades eclesiásticas com seus relatórios destrutivos. Assim como queremos saber a motivação por trás dos extremos de terrorismo, é difícil entender que distorção do cristianismo guia esses cães de guarda em seus esforços para derrubar pessoas boas".
De acordo com uma notícia da Associated Press de Sydney, oito padres da diocese de Toowoomba assinaram uma forte carta de apoio, dizendo que o bispo foi tratado "injustamente" e que os sacerdotes "consideram a sua remoção profundamente desanimadora". Os católicos da diocese teriam realizado uma vigília à luz de velas na noite do dia 3 de maio para manifestar o seu apoio.
O jornal Brisbane Times, por sua vez, informou que Morris, em uma entrevista de rádio do dia 3 de maio, descreveu um "crescente centralismo na Igreja neste momento. Há um crescente autoritarismo".
Ele defendeu que a carta pastoral de 2006 que discutia a falta de padres foi mal interpretada por um pequeno grupo de dissidentes dentro de sua diocese. Ele disse que nunca defendeu a ordenação de mulheres ou de homens casados, mas apenas definiu-a como parte de uma lista de possibilidades que estão sendo discutidas na Igreja do nível local ao global.
"Eu acredito que deve ocorrer uma conversa, seja sobre a ordenação de mulheres, seja sobre o controle da natalidade, seja sobre qualquer assunto dentro do contexto atual da Igreja, da vida comunitária e da vida do mundo", disse Morris na entrevista de rádio.