"Há preconceito contra uso de energia nuclear", afirma presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear

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13 Março 2011

A comparação entre o acidente da usina de Fukushima, no Japão, e a explosão nuclear de Tchernobil, em 1986, não faz o menor sentido. A opinião é de Odair Gonçalves, presidente da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

A entrevista é de Sabine Righetti e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-03-2011.

Para o especialista, as usinas nucleares de todo o mundo irão rever os protocolos para evitar falhas no sistema de resfriamento dos reatores- como aconteceu em Fukushima.

"Mas o Japão não vai deixar de produzir energia nuclear", diz.

Eis a entrevista.

O acidente no Japão deixou mais acirrado o debate entre quem é pró e contra energia nuclear?

A energia nuclear parece que tem torcida contra e a favor. Mas existe muito preconceito por causa dos grandes acidentes com usinas nucleares, em Three Mile Island, nos EUA, em 1979, e em Tchernobil, na Ucrânia, em 1986. Mas o grande hiato que houve entre o acidente de Tchernobil e a construção de novas usinas foi muito mais econômico. Houve lobby do petróleo.

A energia nuclear não é simplesmente para produção de energia elétrica. Tem aplicações bélicas indesejáveis, mas também tem aplicações na agricultura e na medicina. Os radiofármacos [usados em exames de imagem e no tratamento de doenças] talvez sejam a maior aplicação da energia nuclear.

Mas é possível confiar numa usina que falhou por causa de um terremoto?

Não existem ainda informações confiáveis e abrangentes. A própria AIEA [agência de energia atômica ligada à ONU] está exigindo esse tipo de informação. O Japão certamente fará esse relatório no tempo que deve fazer.
O terremoto pode ter abalado o eixo dos geradores. Foi lá que surgiu o incêndio. Em razão disso, houve uma necessidade de resfriamento forçado por geradores. O que aconteceu é que esses geradores apresentaram problemas, e isso é pouco provável de acontecer.

É possível comparar o acidente de Fukushima com Tchernobil?

A distância entre o que ocorre no Japão e o que houve em Tchernobil ou nos EUA é grande. Mesmo considerando a Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos [da AIEA], os acidentes estão muito distantes. O acidente dos EUA foi classificado como 5. O do Japão, na escala 4, ainda se trata de um incidente local.

Será necessário rever a energia nuclear agora?

Não acho que seja o caso de rever. Mas vai haver agora uma análise profunda da avaliação desse risco. Isso será divulgado para o mundo inteiro e, na medida do possível, será preciso retificar as normas de licenciamento que vão levar em conta esse acidente. Nos reatores que estão operando, haverá medidas para evitar o superaquecimento. Mas o Japão não vai deixar de produzir energia nuclear.