17 Setembro 2024
“Na Basílica de São Pedro ouviremos três testemunhos de pessoas que sofreram por alguns destes pecados. Seguir-se-á a confissão de vários tipos de pecados”, anunciou o Cardeal Grech.
A reportagem é publicada em Religión Digital, 16-09-2024.
O Papa Francisco “pedirá perdão” pelos pecados da Igreja durante a vigília prévia à segunda sessão do Sínodo dos Bispos, no próximo dia 1º de outubro, na Basílica de São Pedro e onde poderão ser ouvidos os testemunhos de três vítimas, incluindo o de um dos abusos sexuais.
O encontro dos bispos de todo o mundo, a ocorrer no Vaticano de 2 a 27 de outubro, será precedido de uma vigília penitencial na Praça São Pedro, presidida pelo pontífice e aberta ao mundo inteiro, nas quais “os pecados que causam mais dor e vergonha serão chamados pelo seu nome” na Igreja, disse hoje o cardeal Mario Grech, na apresentação do Sínodo.
“Na Basílica ouviremos três testemunhos de pessoas que sofreram por alguns destes pecados. Seguir-se-á a confissão de vários tipos de pecados. Aqueles que, por ação ou pelo menos por omissão, se tornam causa do sofrimento sofrido pelos inocentes e indefesos”, explicou o secretário-geral do Sínodo dos Bispos.
Questionado sobre estes testemunhos na coletiva de imprensa no Vaticano, Grech disse que as vítimas que darão o seu depoimento serão uma pessoa que sofreu abuso sexual, uma vítima da guerra e outra da indiferença face à migração. “No fim desta confissão de pecados, o Santo Padre dirigirá, em nome de todos os cristãos, um pedido de perdão a Deus e às irmãs e irmãos de toda a humanidade”, acrescentou.
A segunda sessão do Sínodo, na qual estarão dois bispos chineses, terá 368 participantes, incluindo 272 bispos e 96 não bispos, aos quais se somam 8 convidados especiais e 16 delegados fraternos, além de 20 membros da as 15 Igrejas Católicas Orientais.
“A lista não apresenta grandes mudanças em relação aos participantes da primeira sessão”, realizada em outubro do ano passado, sublinhou o cardeal Jean-Claude Hollerich, relator geral da assembleia.
Conforme revelado em julho passado pelo Vaticano ao divulgar o documento de trabalho, a assembleia mundial de bispos estudará dar mais presença às mulheres na Igreja, embora não aborde a questão do diaconato feminino.
Este texto surge das orientações de reuniões anteriores e de igrejas locais de todo o mundo a serem debatidas no Sínodo, que o Papa Francisco decidiu ser um processo de escuta a partir de 2021 centrado na Sinodalidade, ou seja, na unidade da Igreja, e, por isso, tem pela primeira vez leigos e leigas com direito ao voto.
Este “caminho” tem sido articulado por etapas desde 2021 e, depois do encontro do ano passado em Roma, chega agora ao segundo e último encontro, neste mês de outubro, para depois apresentar conclusões que serão apresentadas, presumivelmente, durante 2025, Ano Santo.
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