Os bispos alemães sobre o programa da AfD: “Incompatível com a fé cristã”

Foto: AFD | Wikimedia Commons

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06 Setembro 2024

Mais uma vez a Igreja alemã se posiciona em defesa dos valores cristãos e da democracia. Ontem, os bispos da Turíngia expressaram sua preocupação com os resultados das eleições nos dois estados, onde o partido de ultradireita AfD e o novo partido populista de esquerda Bsw conquistaram grande parte do eleitorado. Na Turíngia como um todo, os dois partidos obtiveram 48,6% dos votos, e na Saxônia, 42,4%. Tanto o AfD quanto o Bsw, apesar de serem politicamente opostos, têm posições semelhantes em relação a migrantes, solicitantes de asilo, segurança e estendem a mão a Moscou.

A reportagem é de Vincenzo Savignano, publicada por Avvenire, 04-09-2024. A tradução de Luisa Rabolini.

A opinião pública, o resto do mundo político e uma grande parte do mundo econômico e industrial olham com preocupação para a próxima votação, em 22 de setembro, em Brandemburgo, estado oriental, que geograficamente circunda a capital Berlim. No parlamento de Potzdam, o AfD e o Bsw também poderiam vencer as eleições e conquistar várias cadeiras. As autoridades políticas e de segurança interna também estão preocupadas com a crescente tensão social, desencadeada e inflamada pelo atentado em Solingen, onde um solicitante de asilo sírio de 26 anos se transformou repentinamente em um terrorista implacável do Isis, esfaqueando 11 pessoas e matando três. E agora até mesmo políticos e partidos que antes eram a favor do acolhimento de refugiados, como os democratas-cristãos, os socialdemocratas e os verdes, estão falando, com convicção, sobre o fechamento de fronteiras, expulsões e revisão de acordos internacionais e europeus sobre solicitantes de asilo.

É por isso que os bispos da Turíngia, em uma carta tornada pública, pediram às outras forças políticas e a toda a sociedade civil que se lembrem dos valores nos quais se baseia não apenas o cristianismo, mas também a Constituição alemã. Além do bispo de Erfurt, Ulrich Neymeyr, a carta foi assinada pelos bispos de Dresden-Meißen, Heinrich Timmerevers, e de Fulda, cujas dioceses se estendem até a Turíngia, Michael Gerber. A missiva começa com uma análise preocupada da situação política: “A formação de um novo governo será muito difícil nas circunstâncias atuais”, diz a carta. “Apelamos a todos os partidos democráticos para que cheguem rapidamente a um acordo sobre uma coalizão viável para o bem do nosso país”.

Os bispos incentivam todos os responsáveis a sempre colocar a vontade de resolver os problemas juntos acima dos objetivos políticos de seus próprios partidos. Em seguida, uma reflexão sobre a situação social na Turíngia: “O fato de que as pessoas com histórico de migração estejam agora preocupadas com sua segurança, que muitas pessoas estejam pensando seriamente em deixar a Turíngia ou que as empresas estejam questionando seu futuro em nosso estado é inaceitável”. “Faremos a nossa parte para garantir que a Turíngia e a Saxônia continuem sendo estados acolhedores e cosmopolitas. Nossa tarefa mais urgente é e continua sendo defender a dignidade humana, especialmente junto aos mais fracos”. Portanto, um aviso muito claro: “O programa etnonacionalista do AfD não é compatível com a fé cristã”. Os bispos da Saxônia também pediram para “não dar espaço às ideias extremistas e nacionalistas em nosso país”.

Em fevereiro de 2024, a Conferência Episcopal Alemã se posicionou unanimemente contra o AfD.

“Consideramos esse partido e todos os partidos populistas de extrema direita inelegíveis para os cristãos”, tinha declarado o presidente do órgão. Georg Bätzing, bispo de Limburg. Bätzing se manifestou novamente pouco antes das eleições regionais na Saxônia e Turíngia, também criticando o Bsw: “O partido se expressa a favor do presidente russo Vladimir Putin em uma situação em que a Rússia invadiu um país soberano e está em guerra há quase três anos”.

Ontem, a primeira cúpula sobre os migrantes e solicitantes de asilo foi realizada em Berlim entre os representantes dos partidos da coalizão governamental, da União Democrata Cristã (Cdu/Csu) e dos Länder. E foi reafirmada a vontade de trabalhar juntos, mas as posições continuam distantes. Parece haver apenas um objetivo comum: uma virada na política de asilo e migração. O reinício do plano de expulsão de migrantes e solicitantes de asilo que cometeram crimes não é suficiente. Muitos representantes da Cdu e governadores dos 16 estados alemães pediram uma limitação ainda mais drástica do fluxo de migrantes.

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