Feira do Livro de Frankfurt 2022: sem igrejas, por favor

Feira do Livro de Frankfurt. (Foto: Reprodução | BlazeTip)

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24 Outubro 2022

Além dos estandes de exposição das várias editoras mundiais, a Feira do Livro de Frankfurt consiste principalmente em eventos e leituras organizados pelos próprios expositores.

O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 23-10-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Entre eles, este ano, há temas totalmente ausentes que dizem respeito às grandes questões das Igrejas institucionais (dos abusos à reforma, da erosão do cristianismo no Ocidente às questões teológicas inerentes à contemporaneidade).

Seu lugar foi ocupado por temas de espiritualidade genérica, compêndios para uma vida feliz e bem-sucedida, com algo dedicado ao islamismo e ao judaísmo - até aos tarôs e um pouco de salsa esotérica. Por outro lado, o mercado vai onde estão os interesses dos leitores e das leitoras, que parecem não deixar espaço para as questões sobre as quais as Igrejas estão gastando seu tempo e suas forças.

Também faltam os costumeiros convidados da Feira do Livro, como Margot Käßmann ou Anselm Grün – que nas últimas edições garantiram certo hype para os dois cristianismos alemães.

K. Höß, gerente de projeto da Associação das mídias católicas, afirmou que “Igreja e religião não desempenham nenhum papel em si na Feira, se não na medida em que há um tema que seja de interesse geral. Caso se queira sair de um nicho editorial, tem que se ativar e oferecer um tema e um personagem que sejam atrativos para o grande público”.

A pandemia significou uma ruptura profunda em todo o mundo editorial e dos livros na Alemanha, com profundas repercussões no religioso e teológico - o que, no entanto, confirma uma tendência que já começou há alguns anos: entre 2017 e 2021 esse ramo perdeu 35% das receitas, e somente no primeiro semestre de 2022, deve ser registrada uma perda adicional de quase 9%.

O único setor que se salva é aquele genérico de espiritualidade e do aconselhamento existencial: quanto mais um título tem a ver com questões institucionais internas de uma Igreja, menos vende. E olhando para esse setor, os anjos vendem muito mais do que a teologia.

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