O Conclave e a angústia dos arquiconservadores

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17 Dezembro 2021

 

Quando o cardeal conservador Walter Brandmüller defende um colégio de cardeais "realmente romano", dá voz à crescente angústia que permeia a Cúria do Vaticano, a de já ter perdido o próximo Conclave. Mérito (culpa, para o cardeal alemão), da "manobra antieuropeia" implementada por Bergoglio ao elevar a dignidade cardinalícia sedes de países até então esquecidos pela Igreja, senão por Deus (República Centro-Africana, Brunei, Ruanda, Haiti, Birmânia, Tonga ...), e não arquidioceses nobres e tradicionais (Veneza, Torino, Paris...).

 

O comentário é de Iacopo Scaramuzzi, publicado por mensal Jesus, dezembro de 2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Raciocínio temperado com alguns enganos históricos (o limiar de 120 eleitores foi introduzido por Paulo VI, não por João Paulo II) e um humor digno das aventuras de Tin Tin, quando Brandmüller teme o risco de que algum novo cardeal, que ele provavelmente imagina vestido de peles e nas costas de uma mula, seja impedido por "erupções vulcânicas, tsunamis, epidemias" ... O objetivo é claro: impedir que um papa (um ao acaso) "influencie a escolha de seu sucessor criando cardeais de uma forma direcionada".

 

No entanto, a racionalidade é incerta. Não só porque se a regra de eleger apenas aqueles "que ocuparam um alto cargo na Cúria de Roma por pelo menos um quinquênio", Wojtyla, para dar um exemplo, não teria sido papa. Mas porque o Conclave, como se sabe, é cheio de surpresas: João XXIII, um reformador, foi eleito por um colégio formado por Pio XII, nobre romano, e Bergoglio foi eleito por cardeais escolhidos como Brandmüller ... A única certeza é que o próximo Conclave será acirrado. "Ainda estou vivo, apesar de alguns me quererem morto", declarou Francisco. Não para falar à toa, mas porque o que está em jogo, teorizado em algum bizarro artigo cardinalício, seja conhecido urbi et orbi.

 

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