Arcebispo de Paris entrega mandato nas mãos do papa

Foto: Peter Potrowl | Wikimedia Commons

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27 Novembro 2021

 

“Faço isso pela diocese, não por aquilo que eu teria feito no passado”, afirmou o prelado ao jornal La Croix.

 

A reportagem é do Servizio Informazione Religiosa (SIR), 26-11-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

O arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, entregou o seu mandato nas mãos do papa. A notícia – que deveria ter permanecido em sigilo até a resposta do Santo Padre – foi publicada nessa sexta-feira, 26, pelo jornal francês Le Figaro.

 

Envolvido em uma investigação do semanário Le Point, tanto sobre o seu governo quanto sobre a sua vida privada, o arcebispo de Paris enviou nessa quinta-feira, 25 de novembro, uma carta ao Papa Francisco na qual pede a sua “demissão”.

 

Contatado pelo jornal católico La Croix – que publicou a notícia na página principal do seu site – o arcebispo Aupetit explica: “A palavra ‘demissão’ não foi a que eu usei. ‘Demissão’ significaria abandonar o meu cargo. Na realidade, eu o entreguei de volta às mãos do Santo Padre, porque foi ele quem me o deu”.

 

“Fiz isso para preservar a diocese, porque, como bispo, devo estar a serviço da unidade”, explicou ainda, indicando que consultou primeiro o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos e núncio em Paris.

 

O arcebispo também que a razão que o levou a tomar essa decisão não está ligada “àquilo que eu teria feito ou não no passado – senão, teria ido embora há muito tempo – mas para evitar a divisão, se eu mesmo for fonte de divisões”, ressaltou, referindo-se às acusações publicadas na Le Point.

 

Divulgado nas redes sociais digitais na terça-feira 23 de novembro, o artigo da Le Point levanta vários casos geridos, na opinião da investigação jornalística do semanário, “brutalmente”: o fechamento do centro de pastoral de Saint-Merry, a demissão do diretor de Saint-Jean de Passy, a renúncia repentina de seus dois vigários e também um episódio da sua vida privada, que remonta a 2012, quando ele mesmo era vigário-geral da diocese, relacionado a um vínculo “ambíguo” com uma mulher.

 

Questionado pelo La Croix, Dom Aupetit disse ter recebido muitas mensagens de apoio nos últimos dias, tanto de padres quanto de fiéis: “Tive o prazer de ler mensagens como ‘aguente firme’, ‘estou com você’, porque, ao ler o artigo da Le Point, fiquei pensando se as pessoas queriam que eu fosse embora... Felizmente, não é nada disso. Sem dúvida, isso é reconfortante. Não era um cargo que eu queria, mas que eu aceitei. Eu sempre me abandonei à graça do Senhor e continuo fazendo isso”.

 

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