Fenômenos. O Covid agrava a crise da Igreja e provoca o boom dos programas pentecostais

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04 Mai 2021

 

Da Igreja Mundial do Concílio Vaticano II, segundo a definição do padre jesuíta Karl Rahner, para a Igreja global de hoje, entre a crise presente e as incógnitas do futuro. Num denso ensaio do último caderno de Civiltà Cattolica, quinzenal da Companhia de Jesus, o teólogo estadunidense padre Thomas P. Rausch delineia os "desafios contemporâneos do catolicismo global".

A reportagem é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Il Fatto Quotidiano, 03-05- 2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em primeiro lugar, os números, para enquadrar a questão. Dos 2,5 bilhões de cristãos no mundo, os católicos são 1,3 bilhão, mais de 50% do total. O restante: 37 por cento são protestantes, 12 de várias igrejas ortodoxas, apenas um por cento de comunidades de mórmons, Testemunhas de Jeová e outros. Diante desses dados gerais, as Igrejas Católicas da Europa e da América do Norte estão sofrendo uma hemorragia constante de fiéis: em 1910, o Velho Continente contava com 65 por cento dos católicos do mundo, hoje a proporção caiu para preocupantes 24 por cento, também devido às "baixas taxas de fertilidade".

Mas a verdadeira insídia para Roma é representada pelo boom dos pentecostais, que na América Latina provocaram, escreve o Padre Rausch, um êxodo de dezenas de milhões de católicos. O que faz a diferença é o chamado evangelho da prosperidade, ou seja, a boa nova transfigurada em uma espécie de materialismo cristão. "Baseando-se num culto sobrenatural emotivo e em orações de cura, muitas vezes pregam o 'evangelho da prosperidade', ou o evangelho da saúde e da riqueza, que tem suas raízes no pentecostalismo dos Estados Unidos". Em suma, de um lado a centralidade dos pobres na Igreja do Papa Francisco, do outro o sensacionalismo dourado dos pregadores da televisão americanos, muitas vezes milionários.

Nelle mani di Dio, Marco Ventura – p. 192
Preço: Euros 15 - Editora: Il Mulino

Os pentecostais também estão crescendo na Ásia, até mesmo na China, e agora a favorecer sua difusão é a emergência causada pelo Coronavírus. Marco Ventura, professor titular de Direito Canônico e Eclesiástico da Universidade de Siena, nota isso em seu último livro, dedicado à prevalência do divino hoje: Nelle mani di Dio. La super-religione del mondo che verrà (Nas mãos de Deus, a super-religião do mundo que virá, em tradução livre, Il Mulino , 190 páginas, 15 euros). Ventura escreve: “Teologia e prática juntas, o evangelho da prosperidade em grande parte coincide com o movimento pentecostal e aposta na aliança do homem com Deus da qual derivam bem-estar econômico e físico”. E é essa cultura "que produziu Trump e que o presidente Trump fortaleceu", destaca o acadêmico, citando um ensaio de 2018 de Marcelo Figueroa e do padre Antonio Spadaro publicado na Civiltà Cattolica, com tons muito duros e críticos.

Após três anos, na mesma revista jesuíta, o Padre Rausch conclui a sua longa análise da Igreja global, identificando precisamente nas comunidades pentecostais, bem como nas evangélicas e independentes africanas, “um novo desafio para o ecumenismo”. Até porque hoje “o cristianismo está explodindo na África, na Ásia e na América Latina”, o fatídico Sul do mundo. E até 2050, o continente com mais cristãos será a África, com pelo menos 1,25 bilhão de fiéis. Mais um golpe para aqueles que se iludem de retornar, depois de Bergoglio, a uma Igreja eurocêntrica.

 

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