Argentina. Para Macri, lei contra agrotóxicos perto das escolas é irresponsável

Foto: Reprodução Facebook Coordinadora por una vida sin agrotóxicos en Entre Ríos: Basta es basta

Mais Lidos

  • O Apocalipse não é o fim do mundo, mas a salvação do cristão. Artigo de Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS
  • Veja o que pode mudar após Câmara aprovar fim da escala 6x1

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 06 Abril 2019

Depois de uma intensa mobilização popular, a Justiça da província de Entre Ríos, na Argentina, proibiu a aplicação de agrotóxicos em plantações que estejam a 1km de distância de alguma escola. A decisão foi apresentada em outubro de 2018. Entretanto, na quinta-feira, 04-04-2019, o presidente Maurício Macri visitou a província e declarou à imprensa que “a decisão é irresponsável”.

Durante um ano, todas as terças-feiras, a organização “Basta es Basta” marchava até à Casa de Gobierno de Entre Rios, na capital da província Paraná, protestando contra o avanço da soja transgênica que trazia junto maiores fumigações. As marchas saíram da capital e se espalharam para outras cidades da província. Quando saiu a decisão da justiça, a organização considerou “um avanço importante para a saúde das crianças e trabalhadores”.

Essa luta ganhou destaque devido a um episódio ocorrido na “Escuela Rural 44”, no município de Santa Anita, quando um empresário aplicou veneno diretamente sobre as crianças em aula. Em março de 2018, foi a vez da “Escuela 54”, na capital Paraná, ser alvo de fumigação em horário de aula. Nessa ocasião alguns alunos passaram mal e a escola precisou ser evacuada. As crianças iam à escola com máscaras para se proteger do veneno.

A decisão judicial garantiu a proibição da aplicação de agrotóxicos por terra em plantações que estejam em um raio de 1km de escolas, e de 3km quando forem aplicações por avião. O juiz que emitiu a sentença foi Oscar Daniel Benedetto, que manifestou na sua decisão que “é impossível de prevenir que o modelo de produção agrícola possa gerar um crescente problema de saúde pública, devido aos fungicidas que contém substâncias químicas tóxicas que afetam os cultivos, mas que muito provavelmente também tenham efeitos nocivos na saúde da população rural”.

Entretanto, na quinta-feira, 04-04, Macri considera a sentença uma irresponsabilidade da Justiça. Após cumprir agenda presidencial na província, nas cidades de Gualeguay e Gualeguaychú, declarou em entrevista coletiva que a nova lei “põe em risco mais de 20% da capacidade produtiva agroindustrial da província”. Ainda, de acordo com o presidente a sentença “não tem nenhum rigor científico”.

A organização "Basta es Basta" emitiu uma nota condenando as declarações de Macri e apontando estudos que comprovam os danos que os agrotóxicos causam à saúde. Entre eles, há um estudo apresentado no VII Congreso Argentino de la Sociedad de Toxicología y Química Ambiental elaborado pelos pesquisadores Damián Marino, Juan Manuel Santillán, Fernando Mañas e Delia Aiassa, que estudou 48 crianças do departamento de Uruguai, na província de Entre Ríos, e 100% apresentaram modificações genéticas causadas pelo glifosato.

Leia mais