Polônia. Vítimas desafiam a poderosa Igreja polonesa e elaboram um mapa com mais de 250 casos de abusos sexuais

Manifestação contra os abusos na Polônia | Foto: Religión Digital

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10 Outubro 2018

Graças a pessoas corajosas como Marek Lisinski, começa a se levantar um vento que arrasta o fedor dos abusos clericais na Polônia, país no qual a Igreja sempre gozou de um status intocável. Vítima ele mesmo e presidente da Fundação Não Tenhas Medo”, Lisinski clama por uma comissão independente que revele a magnitude das agressões cometidas por padres, pela abolição dos prazos de prescrição para este tipo de crime e pelo processo criminal para aqueles líderes da Igreja que tenham acobertado sacerdotes pedófilos.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 09-10-2018. A tradução é do Cepat.

“Temos que ajudar as vítimas para que se sintam seguras e denunciem suas histórias”, disse Lisinski, neste último domingo, ao apresentar um mapa elaborado por sua fundação que mostra os lugares em que os clérigos católicos cometeram supostos abusos sexuais contra menores. Um documento que aumenta a pressão contra a Igreja católica em um país onde até há pouco era tabu falar de casos de pedofilia no seio católico.

A Fundação Não Tenhas Medo”, que representa vítimas de abusos sexuais, é a responsável por este mapa no qual se reúnem os 255 casos de abusos contra crianças menores de 15 anos por parte de sacerdotes que foram denunciados no país.

Membros desta fundação, assim como de outros coletivos que representam vítimas de abusos no seio da Igreja católica polonesa, visitaram o Parlamento, nesta segunda-feira, reunindo-se com os membros de uma comissão parlamentar centrada na proteção dos direitos humanos.

A reunião chega após estes coletivos protagonizarem, neste domingo, um protesto em Varsóvia para pedir uma resposta contundente das autoridades polonesas aos casos de pedofilia na Igreja católica.

“O tema da pedofilia na Igreja é uma tarefa para a qual a administração da justiça deve se ocupar com firmeza, e espero que sejam tomadas todas as medidas necessárias para que qualquer responsável por tal tipo de ato seja processado”, disse, hoje, a porta-voz do partido governante na Polônia, Beata Mazurek.

Mais de cinquenta sacerdotes católicos foram condenados na Polônia por abuso sexual contra menores, segundo esta fundação, mas Lisinski adverte que este número representa somente “a ponta do iceberg” em relação aos padres pedófilos. A Fundação também lamenta que em alguns casos os condenados tenham sido designados a uma nova paróquia, após cumprir sua estadia na prisão.

Este relatório chega após o êxito do filme Kler (Clero), uma controvertida produção do diretor polonês Wojciech Smarzowski, que bateu todos os recordes de bilheteria, com quase um milhão de espectadores em seu primeiro final de semana nas salas polonesas, superando o recorde que até agora o filme Cinquenta Tons de Cinza ostentava.

Kler aborda sem complexos os temas do abuso infantil, as relações amorosas, a corrupção, a cobiça e o alcoolismo dos religiosos poloneses, e foi duramente criticado por organizações ultraconservadoras, que veem neste filme um ataque injustificado à Igreja católica.

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