Comunhão na mão: o papa lembra que é possível

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24 Março 2018

São poucas linhas, mas significativas. Continuando a catequese sobre a missa, durante a Audiência da quarta-feira, 21 de março, o Papa Francisco recordou os vários modos de receber a eucaristia, entre os quais está o de receber a hóstia consagrada nas mãos. Uma ênfase que chega depois das severas palavras com que o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação do Culto Divino, criticou, nas últimas semanas, o uso da comunhão na mão.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 22-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o que Francisco disse:

“A Igreja deseja vivamente que os fiéis também recebam o corpo do Senhor com hóstias consagradas na mesma missa; e o sinal do banquete eucarístico se expressa com mais plenitude se a Santa Comunhão é feita sob as duas espécies, mesmo sabendo que a doutrina católica ensina que, sob uma única espécie, recebe-se o Cristo todo inteiro (cfr. Instrução Geral do Missal Romano, 85; 281-282)”.

“De acordo com a prática eclesial – continuou Bergoglio – o fiel se aproxima normalmente da eucaristia em forma processional, como já dissemos, e comunga em pé com devoção, ou de joelhos, como estabelecido pela Conferência Episcopal, recebendo o sacramento na boca ou, onde é permitido, na mão, como preferir (cf. OGMR, 160-161). Depois da comunhão, para conservar no coração o dom recebido, o silêncio e a oração silenciosa nos ajudam.”

Em poucas linhas, o pontífice lembra que a comunhão recebida pelo fiel nas mãos não representa um abuso, mas sim uma modalidade prevista pela Instrução Geral do Missal Romano.

Eis o que exatamente prescrevem os parágrafos 160 e 161 do documento:

“O sacerdote pega depois na patena ou na píxide e aproxima-se dos comungantes, que habitualmente se aproximam em procissão. Não é permitido que os próprios fiéis tomem, por si mesmos, o pão consagrado nem o cálice sagrado, e menos ainda que o passem entre si, de mão em mão. Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, segundo a determinação da Conferência Episcopal. Quando comungam de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam a devida reverência, estabelecida pelas mesmas normas.

“Se a Comunhão for distribuída unicamente sob a espécie do pão, o sacerdote levanta um pouco a hóstia e, mostrando-a a cada um dos comungantes, diz: O Corpo de Cristo ou Corpus Christi. O comungante responde: Amém, e recebe o Sacramento na boca, ou, onde for permitido, na mão, conforme preferir. O comungante recebe a hóstia e comunga-a imediatamente e na íntegra.”

Aquele “onde for permitido” significa os lugares onde a Conferência Episcopal se manifestou em favor da comunhão na mão, permitindo também esse uso. Que, portanto, não pode ser considerado como um abuso, tendo sido contemplado na Instrução do Missal e tendo sido explicitamente autorizado pelos bispos locais.

O cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (nomeado pelo Papa Francisco), no prefácio ao livro de Federico Bortoli, intitulado La distribuzione della Comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali [A distribuição da Comunhão na mão. Perfis históricos, jurídicos e pastorais] (Edizioni Cantagalli), denunciou recentemente um ataque diabólico múltiplo à eucaristia. Identificando precisamente no uso de receber a comunhão na mão uma porta aberta para esses ataques e lembrando que a partícula deve ser recebida na língua, de joelhos.

“Por que nos obstinamos a comungar de pé e na mão?”, perguntou Sarah. “Por que essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus?” Depois, advertia: “Que nenhum sacerdote ouse pretender impor a própria autoridade sobre essa questão, recusando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e na língua: vamos como as crianças e recebemos humildemente, de joelhos e na língua, o Corpo de Cristo”.

Sarah defendia que receber a eucaristia na mão tornou-se uma prática porque, “para uma reforma litúrgica que devia ser homogênea com os ritos anteriores, uma concessão particular tornou-se o pé de cabra para forçar e esvaziar a caixa-forte dos tesouros litúrgicos da Igreja”.

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