O WhatsApp e o conflito nação-redes sociais

Mais Lidos

  • Para o sociólogo, vivemos tempos de anomalia. A sociedade pós-moderna “esfacelou as identidades sociais” e está difícil “ter uma percepção clara e objetiva do que está acontecendo”

    O momento é de ruptura dialética da historicidade social: “um eclipse total da lua”. Entrevista especial com José de Souza Martins

    LER MAIS
  • "O Cântico das Criaturas nos ajuda a defender a vida". Entrevista com Stefano Mancuso

    LER MAIS
  • Dossiê Fim da escala 6x1: Redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6X1 - As lutas pelo direito ao trabalho no Brasil. Artigo de Ricardo T. Neder

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Mai 2016

É antipático, eu sei. Mas a sanção aplicada no WhatsApp por um juiz do interior de Sergipe é significativa de um embate muito maior que será cada vez mais presente: o poder globalizado das redes sociais versus o poder nacional.

O comentário é de Luis Nassif, jornalista, publicado por Jornal GGN, 03-05-2016.

Não se trata de tema menor, mas fundamental na atual quadra da globalização. Em muitos casos, as redes sociais exercem um papel virtuoso, abrindo espaço para as demandas sociais e para a pluralidade de opiniões. Mas sua colocação como poder supranacional é perigosa. Tratam-se de grupos privados, com interesses comerciais e com lógica de empresa privada similar, mas muito maior, do que os grupos de mídia.

Essas redes têm o controle do mais importante ativo nacional: o mercado de opiniões. Através de simples expedientes técnicos - como o de definir as formas como as notícias entram nas pesquisas -, podem direcionar as opiniões para onde quiser. Têm poder total de veto sobre as opiniões de seus usuários. Subordinam-se unicamente aos seus países de origem, sendo instrumentos óbvios de parceria das estratégias geopolíticas nacionais.

É muito poder, para viver em um mundo sem regulação.

Por outro lado, as redes sociais, no estágio atual, representam a liberdade de expressão para muitos países submetidos a ditaduras de Estado ou de cartel de mídia.

Chegará o tempo em que as organizações multilaterais definirão regras de conduta para esses grandes grupos. A atitude do juiz Marcel Montalvão antecipa o primado do poder nacional sobre essas organizações, em um caso que envolvia tráfico interestadual de drogas.

O problema é se o precedente for utilizado para tentativas de Estado de atacar a liberdade de expressão ou a privacidade dos usuários.