Testemunhas da luz

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11 Dezembro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de João 1,6-8.18-19, que corresponde ao 3° Domingo do Advento, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto.

É curioso como apresenta o quarto evangelho a figura do Baptista. É um «homem», sem mais qualificativos ou precisões. Nada é dito sobre sua origem ou condição social. Ele próprio sabe que não é importante. Não é o Messias, não é Elias, nem sequer é o Profeta que todos esperam. Só se vê a si mesmo como «a voz que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor». No entanto, Deus envia-O como «testemunha da luz», capaz de despertar a fé de todos. Uma pessoa que pode espalhar luz e vida. Que é ser testemunha da luz?

A testemunha é como João. Não se dá importância. Não procura ser original ou chamar a atenção. Não tenta impactar ninguém. Simplesmente vive a sua vida de uma forma convincente. Vê-se que Deus ilumina a sua vida. Irradia-o no seu modo de viver e acreditar.

A testemunha da luz não fala muito, mas é uma voz. Vive algo inconfundível. Comunica o que a Ele faz viver. Não diz coisas sobre Deus, mas contagia «algo». Não ensina doutrina religiosa, mas convida a acreditar. A vida da testemunha atrai e desperta interesse. Não culpabiliza ninguém. Não condena. Contagia confiança em Deus, liberta de medos. Abre sempre caminhos. É como o Baptista, «abre o caminho para o Senhor».

A testemunha sente-se débil e limitada. Muitas vezes comprova que a sua fé não encontra apoio nem eco social. Inclusive vê-se rodeado de indiferença ou rejeição. Mas a testemunha de Deus não julga ninguém. Não vê os outros como adversários que tem de combater ou convencer: Deus sabe como encontrar-se com cada um dos seus filhos e filhas.

Diz-se que o mundo atual se está a converter num «deserto», mas a testemunha revela que algo sabe sobre Deus e o amor, algo sabe sobre a «fonte» e de como se acalma a sede de felicidade que há no ser humano. A vida está cheia de pequenas testemunhas. São crentes simples e humildes, conhecidos apenas por aqueles à sua volta. Pessoas muito boas. Vivem da verdade e do amor. Eles "abrem-nos o caminho" para Deus. São o melhor que temos na Igreja.

 

 

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