A tentação de Rohani: convidar o papa ao Irã para uma visita histórica

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Janeiro 2016

Francisco e o Irã. Essa é a última frente da diplomacia vaticana. Um diálogo que será reiniciado no dia 26 de janeiro, com a visita do chefe de Estado de Teerã, Hassan Rohani, ao Vaticano. É desde 1999 que um presidente da República Islâmica – na época, foi o reformador Mohammad Khatami – não atravessa o Portão de Bronze.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 24-01-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Agora, fontes diplomáticas estrangeiras e alguns sites iranianos levantam a hipótese de que Rohani, nesta terça-feira de manhã, pode ter no bolso um convite para que o papa visite o Irã. A Secretaria de Estado vaticana não tem sinais de um passo nessa direção.

Mas, se a hipótese se tornasse realidade, e Francisco se reservasse o direito de aceitar o convite, então seria o momento de um passo histórico, mais um para o pontífice argentino.

A tentação de uma viagem a Teerã é um projeto cheio de fascínio e à qual levam diversos elementos que, considerados um a um, tornam o cenário plausível no papel. O recente degelo internacional em relação a Teerã está credenciando o Irã como um país com o qual é possível falar agora mais abertamente, com relação a um passado feito de suspeitas e de sanções.

E eis Rouhani movendo-se imediatamente para a Europa, visitando nesta semana a Itália, o Vaticano e a França, para desbloquear, portanto, não só um potencial muito vasto em termos de negócios, mas também no plano das relações diplomáticas.

Depois, é preciso considerar a frente da política externa vaticana mais recente. Francisco visitou Turquia, Israel, Palestina e Jordânia, várias vezes manifestou o desejo de ir ao Iraque e resolver o caso da Síria, e, nesse contexto, um diálogo direto com o Irã poderia contribuir fortemente para construir pontes de paz em uma região abalada por guerras internas (árabes e israelenses, turcos e curdos) e pela trágica presença do IS.

Um novo elemento também está amadurecendo: o de uma visita de Francisco à Armênia. O papa recebeu várias vezes convites dos patriarcas armenos e do governo de Yerevan, e agora a data da sua viagem será fixada. O Vaticano, porém, não pretende irritar Turquia, embora as relações com o presidente Erdogan permaneçam gélidas, e Ancara mantenha a retirada do seu embaixador.

O papa, assim, poderia deixar passar o 101º aniversário do genocídio em abril para enfrentar a etapa em Yerevan a partir de maio. E há também quem pense que o pontífice poderia unir a visita ao Irã à da Armênia: com tempos muito estreitos.

Mas "com este papa – refletem outras fontes diplomáticas – tudo é possível." A Armênia, para Bergoglio, é não só um país onde ele tem muitos amigos desde os tempos em que era arcebispo de Buenos Aires, mas também uma chave de aproximação à Rússia, onde o encontro com o Patriarca Ortodoxo é um evento ainda a ser construído, não em Moscou por enquanto, mas em um país terceiro. Enquanto isso, Francisco anuncia a sua próxima visita sul-americana, desta vez à Colômbia.

No domingo passado, dia da primeira visita de Bergoglio à sinagoga de Roma, já se falava da próxima etapa de Francisco à mesquita da capital italiana, a primeira visita de um papa a um local sagrado islâmico na Itália. Outro passo do Vaticano imediatamente captado pelo mundo muçulmano.

E os sinais do lado iraniano não faltam. Em um interessante fórum realizado há poucos dias na agência Ansa, o embaixador de Teerã em Roma, Jahanbakhsh Mozaffari, sublinhou que o papa e a Santa Sé são para o Irã de "extrema importância", que as relações entre a República Islâmica e o Vaticano sempre foram "ótimas", e há "contínuos intercâmbios de delegações".

Nunca um papa esteve no Irã. Mas, com Francisco, a história poderia conhecer uma nova aceleração.