“Para voltar à Igreja é preciso aceitar o Concílio”, escreve Bento XVI a Fellay

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Por: André | 01 Outubro 2012

Em 30 de junho passado, poucos dias antes do começo do capítulo geral da Fraternidade São Pio X, Bento XVI escreveu uma carta ao superior dos Lefebvrianos, o bispo Bernard Fellay. A existência desta carta foi revelada por Bernard Tissier de Mallerais, um dos quatro bispos da Fraternidade, cuja oposição ao acordo com Roma é conhecida, durante conferência realizada no dia 16 de setembro no priorado St. Louis-Marie Grignon de Monfort, na França.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 28-09-2012. A tradução é do Cepat.

Disse o prelado: “Em 30 de junho de 2012 (é um segredo que vos revelo, mas que será publicado) o Papa escreveu de seu próprio punho uma carta ao nosso superior geral, dom Fellay: ‘Confirmo-lhe efetivamente que para se reintegrar verdadeiramente na Igreja é preciso aceitar verdadeiramente o Concílio Vaticano II e o magistério pós-conciliar’”.

“Trata-se de um ponto morto – comentou Tissier de Mallerais – porque para nós não é aceitável, e não podemos assinar uma coisa dessas. Pode-se precisar questões, porque o Concílio é tão amplo que se pode encontrar coisas boas nele, mas não é o essencial do Concílio”.

O bispo lefebvriano também disse palavras muito duras durante a conferência: “Não se pode abandonar as armas no meio da batalha, não buscaremos o armistício enquanto a guerra aumenta: com o encontro de Assis do ano passado; com a beatificação de um falso beato, o Papa João Paulo II. Uma coisa falsa, uma falsa beatificação. E com a exigência, indicada constantemente por Bento XVI, de aceitar o Concílio e as reformas do magistério pós-conciliar”.

Tissier de Mallerais também disse que “a colegialidade destrói o poder do Papa, que já não ousa resistir às conferências episcopais”; destrói “o poder dos bispos, que já não ousam resistir aos conselhos episcopais”. Acrescentou que o ecumenismo “faz com que se respeitem os valores de salvação das falsas religiões e do protestantismo, coisas falsas”, ao passo que a liberdade religiosa “permite de bom grado a construção de mesquitas em nossos países”.

“Evidentemente – acrescentou o bispo lefebvriano –, não podemos assinar isto. Sobre este ponto não há nenhum acordo e não haverá nenhum acordo”. Apesar das insistências da “Roma modernista”, Tissier garante que, “pessoalmente, não assinarei nunca coisas deste tipo, que fique claro. Não aceitarei nunca dizer que a nova Missa é legítima ou lícita; eu direi que é, com frequência, inválida, como dizia dom Lefebvre. Nunca aceitarei dizer: “O Concílio, se bem interpretado, talvez poderia corresponder à Tradição, se poderia encontrar um significado aceitável”.

Depois de ter chamado de “mentiroso” o texto do Preâmbulo Doutrinal que o cardeal William Levada entregou a Fellay no dia 12 de junho, o cardeal lefebvriano disse que o capítulo geral da Fraternidade que se reuniu em julho tomou algumas “decisões muito suaves”, para “apresentar a Roma tais obstáculos que Roma não ouse mais nos importunar”, colocando “condições praticamente irrealizáveis para impedir que façamos novas propostas. Mas o demônio é maligno, e eu creio que eles voltarão ao ataque, razão pela qual me preparo delicadamente para nos defender, e a Fraternidade se defenderá”.