A Igreja alemã abrirá os arquivos sobre sua relação com o nazismo

Mais Lidos

  • “A discussão sobre soberania digital e dependência tecnológica não pode ser separada da dimensão socioambiental”, adverte professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

    Expansão de data centers no Brasil: “Quem recebe os benefícios da infraestrutura digital e quem suporta seus custos ambientais e territoriais?” Entrevista especial com Hamilton Gomes de Santana Neto

    LER MAIS
  • Entrevista com a inteligência artificial Claude, a IA atacada por Trump

    LER MAIS
  • O jornalista Gareth Gore detalhou os escândalos do Opus Dei ao Papa: "Deve ser considerada uma seita abusiva"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Caroline | 17 Outubro 2013

A Igreja católica alemã anunciou, nesta terça-feira, que publicará os diários do cardeal arcebispo de Munique, Michael von Faulhaber (1869-1952), com o objetivo de lançar uma nova luz sobre seu papel durante o regime nazista. Assim anunciou, hoje, numa coletiva de imprensa em Munique, o atual Arcebispo da cidade, o cardeal Reinhard Max (foto), que apostou em apoiar esta iniciativa, já que “nada do que os arquivos tragam à luz, pode causar mais danos à Igreja do que a suspeita de que queremos calar ou encobrir algo”.

 
Fonte: http://goo.gl/V7GoFL  

A reportagem é publicada por Religión Digital, 15-10-2013. A tradução é do Cepat.

Faulhaber, que ocupou a sede episcopal de Munique durante o período nazista (1933-1945) e foi um dos cardeais mais próximos do Papa Pio XII (1939-1958), cujo pontificado abarcou toda a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), elogiou abertamente, em várias ocasiões, o líder nazista Adolf Hitler.
De fato, quando em 1939 foi cometido um atentado frustrado contra Hitler, em Munique, o cardeal Faulhaber se alegrou, em um telegrama, de que a “providência divina” permitiu-lhe sobreviver. Entretanto, Max descartou qualificar Faulhaber como seguidor do governo nazista e explicou que, ao contrário, o arcebispo “não era considerado entre os nazistas como alguém com quem se podia contar”.

Da caneta de Faulhaber saiu grande parte da informação usada em 1937 pelo Papa Pio XI (1922-1939) em sua encíclica “Mit brenender Sorge”(“Com ardente preocupação”), na qual este tratou da situação de intimidação em que se encontrava a Igreja católica sob o regime nazista.

A publicação on-line dos diários é parte de um projeto de uma associação de pesquisadores alemães, que financiará inicialmente a edição por três anos, com 8000.000 euros, ainda que se estime que o projeto necessite, devido ao volume de informação, de doze anos para ser finalizado.

Os manuscritos contêm referências a 52.000 visitas e conversas, de 1911 até 1952, que abarcam os últimos anos do Império Alemão aos primeiros da República Federal Alemã. Até 2010, os documentos haviam permanecido sob o leito do último secretário de Faulhaber, Johannes Maxenberger, que não quis torná-los conhecidos até sua morte.

O pesquisador do Instituto de História Contemporânea de Munique e Berlim, Andreas Wirsching, e o especialista em história da Igreja, Hubert Wolf, encarregados da edição, descreveram a descoberta como “uma fonte excepcional” que pode lançar uma visão panorâmica de uma época conturbada.