Insanidade sem limite: médicos cearenses atacam médicos cubanos

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Por: Cesar Sanson | 28 Agosto 2013

“De vez em quando, dá até vergonha de ser brasileiro”. O comentário é do jornalista Ricardo Kotscho em artigo no seu blog, 27-08-2013, sobre a hostilização sofrida por médicos cubanos em Fortaleza-CE.

Eis o artigo.

Aos gritos de "escravos!" cerca de 50 médicos cearenses liderados pelo presidente do seu sindicato, José Maria Pontes, fizeram um "corredor polonês" para impedir a saída de 79 médicos cubanos ao final do primeiro dia do curso do Mais Médicos na Escola de Saúde Pública do Ceará, em Fortaleza, na noite desta segunda-feira. "Não aceitamos que eles apenas passem por uma avaliação de português e Sistema Único de Saúde", pontificou o presidente do sindicato. Quem lhe concedeu esta autoridade?

O governo teve que pedir reforço policial quando os médicos brasileiros tentaram invadir o prédio, depois de cercar todas as saídas, obrigando os médicos cubanos a permanecer por mais 40 minutos no saguão da escola, enquanto autoridades tomavam providências para evitar um conflito maior.

Segundo a Agencia Estado, a polícia acompanhou o protesto de perto, mas não interveio, quando os cubanos finalmente saíram, sob os xingamentos dos seus colegas cearenses, em direção ao 23º Batalhão de Caçadores do Exército, onde estão hospedados. Alguns jovens com a bandeira de Cuba que assistiam à cena chamaram os médicos brasileiros de "mercenários".

Pode parecer ironia, mas Fortaleza é conhecida como a cidade da hospitalidade. Pelo menos era, até última vez em que estive por lá.

É este o resultado da campanha insana deflagrada por parte da classe médica, suas entidades representativas e setores da mídia contra a vinda de 400 profissionais cubanos para trabalhar no programa Mais Médicos.

De vez em quando, dá até vergonha de ser brasileiro, como aconteceu comigo ao ver a foto de Jarbas Oliveira na capa da Folha, em que aparece um médico cubano que passa altivo, mas assustado, pelo "corredor polonês", sendo xingado por jovens de jaleco branco com as mãos abertas em forma de concha na boca como se vê em protestos estudantis.