A Rainha da Inglaterra quebra o juramento por causa do casamento homossexual?

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Por: André | 15 Junho 2013

A questão pode parecer fantasiosa, mas é de maneira bem séria que o bispo anglicano de Rochester, Michael Nazir-Ali, provocou: caso o Reino Unido adotar o projeto de lei sobre o casamento homossexual, a rainha Elizabeth poderá, ao dar o seu “assentimento real”, quebrar um juramento feito no dia da sua coroação. Com efeito, a rainha da Inglaterra não é somente soberana, mas também “chefe supremo da Igreja da Inglaterra”. Ora, com a coroação – que está completando o 60º aniversário – ela se comprometeu com um juramento especialmente “fazer tudo o que estiver em [seu] poder para preservar as leis de Deus”.

A reportagem é de Aymerie Christensen e publicada pela revista francesa La Vie, 06-06-2013. A tradução é do Cepat.

Segundo Michael Nazir-Ali, citado pelo Telegraph, “a própria ideia de uma monarquia constitucional vem da Bíblia, que diz aos cristãos para obedecerem aos seus governantes, salvo se esses últimos lhe pedirem para fazer alguma coisa proibida por Deus. Felizmente, em nosso país, nós temos uma monarquia que presta juramento de fazer respeitar as leis de Deus, e a atual rainha foi fiel a isso durante anos. Nós rezamos para que ela continue a sê-lo”.

Entretanto, segundo ele, a responsabilidade não repousa inteiramente sobre as costas da rainha, em virtude do princípio da monarquia constitucional, que propõe que a iniciativa das leis seja incumbência do governo. “É o Primeiro ministro que tem a responsabilidade de não colocar a rainha em posição tal que ela poderia entrar em contradição com a promessa soberana que ela fez. Nós esperamos que ela não seja colocada nesta situação”, acrescentou o bispo de Rochester.

Essas declarações se apoiam sobre a realidade das opiniões mais conservadoras da rainha, que até agora sempre respeitou o princípio da monarquia constitucional ao ratificar as leis votadas pelo Parlamento inglês, independentemente do que ela poderia pensar. É preciso ver nas intenções do bispo de Rochester o eco de um real caso de consciência da Elizabeth II sobre esta questão?

O acontecimento enfatiza, em todo o caso, em que ponto o projeto de lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo poderia mudar a relação entre o governo do Reino Unido e a Igreja anglicana. Em uma declaração dada no dia 04 de junho à Câmara dos Lordes, o arcebispo de Canterbury Justin Welby declarou que a legalização do casamento homossexual teria por consequência a “abolição” do casamento tradicional. Muitos bispos anglicanos se uniram, por outro lado, para apoiar uma emenda defendendo as escolas e as instituições religiosas que se recusariam a renunciar ao ensino do casamento como a união de um homem e uma mulher.