Occupy reivindica o seu ''Bergoglio anticapitalista''

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24 Setembro 2015

A próxima sexta-feira, 25 de setembro, será um dia muito especial para Nova York, que será fechada para a visita do Papa Bergoglio.

A reportagem é de Marina Catucci, publicada no jornal Il Manifesto, 23-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma visita papal nos Estados Unidos não é um evento comum, portanto, é óbvio que seja muito esperado, que os sistemas de segurança sejam os de alerta máximo (será praticamente impossível se mover por Manhattan durante todo o dia) e que se fale disso; menos óbvios são os tons da discussão, e, acima de tudo, é surpreendente a fonte desses tons.

Há já algum tempo, a estranha companheira norte-americana desse papa é a esquerda radical, razão pela qual vozes que, desde sempre, foram anticlericais, como as da revista Mother Jones, uma das mais radicais dos EUA, ressaltam como as posições do papa sobre o ambiente e a luta contra o capitalismo são próximas das delas.

Assim como a Mother Jones, também o Occupy Wall Street (OWS) enfatiza uma comunhão de propósitos com o papa, proximidade que é sublinhada mediante as declarações da OWS na sua conta no Twitter. "Mais cedo ou mais tarde, esse papa vai se assomar à sacada e vai começar a homilia iniciando com 'mic check'", tuitava há algumas semanas o Occupy, em referência às declarações do papa sobre a questão da distribuição de capital.

Isso enquanto a direita norte-americana, começando pela ultraconservadora Fox News, pinta o novo curso do Vaticano como perigoso, embaraçoso e, para alguns, até mesmo contraproducente. Com essa premissa, não parece mais tão estranho que quem estende um metafórico tapete vermelho para o Papa Bergoglio são identidades tradicionalmente alinhadas do lado oposto da Igreja.

"Encontramo-nos nas semelhanças substanciais, mais do que nos dividindo nos particularismos", diz Justin, que faz parte do Occupy Wall Street desde a primeira ocupação. "Quando o papa afirma que o sistema econômico capitalista é um sistema opressor e culpado, causa de injustiças sociais e portador da guerra, que os países pobres não devem ser reduzidos a fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata para os países desenvolvidos, que a defesa do ambiente é um tema principal da agenda política pela qual se deve pressionar, o que eu ouço são os mesmos conceitos que o Occupy Wall Street vem repetindo há quatro anos. Se estou surpreso com isso? É claro que estou surpreso. Pessoalmente, sou agnóstico, mas é reconfortante que uma figura relevante abrace posições radicais, contra o sistema capitalista. Nestes dias, estamos vendo Hillary Clinton agonizar ao decidir até onde deve chegar ao desafiar os titãs de Wall Street. O papa pode se dar ao luxo de fazer menos cálculos políticos e tomar uma posição. E depois nós, no Zuccotti Park, sempre hospedamos cerimônias interconfessionais, quando estas eram novas oportunidades para celebrar a tolerância e o espírito revolucionário."

Para o dia 25 de setembro, portanto, não estão previstas manifestações de protesto por parte do OWS: "Vamos comentar as suas declarações – continua Justin –, estamos à espera daquilo que ele tem a dizer sobre Wall Street, já que ele estará aqui em Nova York, justamente no ventre da besta".

Essa expectativa e esse aspecto de occupiers (e eles usam justamente esse termo, de modo compulsivo) são continuamente reiterados pela direita, que, no entanto, aguarda a chegada do papa com um espírito completamente diferente, ferida como por uma traição contra aqueles que esperam que Deus abençoe sempre a América.

"Ele quer ser um papa moderno", disse Greg Gutfeld, da Fox News. "Ele só precisa de dreadlocks, de um cachorro e de uma bandana, e poderia tranquilamente estar no Occupy Wall Street."