O psicanalista Luigi Zoja: A tarefa de ser pai numa sociedade competitiva

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31 Janeiro 2015

Estou perfeitamente de acordo com o Papa. E mesmo, gracejando com o meu editor argentino, eu lhe propus solicitar ao Pontífice fazer o prefácio de meu livro”.

A entrevista é de Riccardo Bruno, pulicada pelo Corriere della Sera, 29-01-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Luigi Zoja, psicanalista junghiano, há quinze anos escreveu

O gesto de Heitor, uma referência na análise entre pais (ausentes) e filhos, texto ainda muito lido e traduzido. “Heitor retira o elmo, toma o filho nos braços e pede que se torne mais forte do que ele – explica Zoja -. Na mitologia não existe apenas Édipo, o pai castrador, mas também a figura de um progenitor forte e positivo”.

Eis a entrevista.

O Papa Francisco fala de filhos “órfãos”, porque vivem em famílias com pais ausentes.

A conduta da mãe está radicada na biologia, e em todas as culturas varia pouco. A do pai, ao invés, é variabilíssima: não basta ter o papel fecundante, é preciso reconhecer e alimentar o próprio filho, tanto física como também afetiva e culturalmente. O pai era tradicionalmente preposto a uma função secundária, a dizer não, a ensinar a limitar as necessidades. E isto está se reduzindo.

No entanto, sempre mais pais trocam as fraldas, desenvolvem tarefas antes exclusivas das mães.

É verdade, e também eu o fiz com os meus três filhos. É muito bonito e te gratifica. Creio que em parte deriva do sentimento de culpa após séculos de patriarcado e de abusos, como se se sentisse a necessidade de ser aceitos.

E isto é positivo?

Sim, é positivo. E, com respeito a quinze anos atrás, é um fenômeno que se reforçou ulteriormente.

E então, por que os pais estão cada vez mais ausentes?

Porque não é coberta ou é subvalorizada a educação, a fase da adolescência. Por exemplo, o pai, sobretudo com os filhos homens, deve estar em condições de canalizar a agressividade dos jovens.

E deve propor-se como modelo. Mas, numa sociedade competitiva como a nossa, não é então melhor que se dedique à carreira, antes do que estar demasiado em casa?

Quando eu escrevia o livro, minha filha menor me censurava que eu não a ajudava a fazer as tarefas escolares.

E agora imagino que esteja orgulhoso dela...

Se não te dedicas à carreira, talvez um dia o teu filho não te censure de ter sido um bunda-mole, que por culpa tua não poderá comprar para si uma casa. Com efeito, o equilíbrio é delicadíssimo.

Francisco também convida a evitar por-se “a par”.

Deve haver comunicação, mas sem se exceder, o pai deve manter sua figura de respeitabilidade. Não precisa criar uma “sociedade de irmãos”, mas recuperar também uma verticalidade nas relações. Deixando para trás a sociedade patriarcal, acabamos por também jogar fora a criança com a água suja.

Também nisto está de acordo com o Papa.

Sim, mas também ele deve estar atento. Os termos Papa e papai, não por acaso, têm a mesma raiz. Bergoglio procura estar à disposição, mas, ao meu ver às vezes está no limite. Se o Papa se torna um amigão, corre o risco de perder credibilidade. Assim como um papai.