Governo anuncia plano de enfrentamento aos impactos do El Niño no SUS

Foto: Agência Brasil

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01 Setembro 2026

O Ministério da Saúde anunciou o plano de resposta à emergência em saúde pública em função do El Niño. A iniciativa busca preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos do fenômeno, que tem mais de 90% de chance de se tornar “muito forte” a partir deste mês, segundo as últimas previsões da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA).

 A informação é publicada por ClimaInfo, 01-09-2026. 

A estratégia é estruturada em cinco eixos, informam Valor, Estadão e Brasil 247: coordenação entre governos, em uma sala de situação que vai reunir informações e acompanhar emergências relacionadas ao clima; monitoramento na área da saúde, com outra sala de situação responsável por acompanhar os impactos dos eventos climáticos sobre a saúde; medicamentos, com a disponibilização de recursos e kits emergenciais para atender as regiões afetadas; envio de equipes, com o estabelecimento de bases regionais da Força Nacional do SUS para deslocar profissionais às áreas atingidas em até 48 horas; e atendimento adaptado a cada região, com serviços e protocolos de saúde organizados considerando as características e os riscos de cada bioma.

O planejamento ainda inclui sistemas para monitorar as condições ambientais e seus possíveis efeitos sobre a população. Entre as ferramentas estão: Painel Nacional de Excesso de Calor, que acompanha situações de calor excessivo, permitindo identificar períodos e áreas em que as altas temperaturas podem representar maior risco à saúde; VigiAR, programa de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos, utilizado para acompanhar riscos à saúde relacionados à poluição do ar; GeoRisk, de acompanhamento de riscos relacionados a eventos climáticos e seus impactos sobre a saúde; e Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), um projeto-piloto implantado em oito cidades das cinco regiões do país para reunir informações sobre clima e saúde e apoiar a tomada de decisões.

Além das medidas específicas para o El Niño, o ministério mantém uma estratégia de médio prazo para preparar o sistema de saúde para os efeitos das mudanças climáticas. O Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS reúne 27 metas e 93 ações até 2035, distribuídas entre as áreas de Vigilância em Saúde; Atenção à Saúde; Promoção e Educação em Saúde; Ciência, Tecnologia, Inovação e Produção.

Entre as medidas previstas estão a criação de uma diretriz nacional para emergências de saúde pública provocadas por calor extremo e o apoio a municípios considerados prioritários na preparação para desastres. Para enfrentar a insegurança hídrica, uma das ações planejadas é a contratação, pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), de 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com investimento de R$ 226,6 milhões. Além disso, o plano prevê aprimorar, até 2027, o monitoramento e o controle de doenças e de problemas de saúde relacionados ao clima em todos os estados.

Em tempo

O fortalecimento do El Niño, alimentado pelas mudanças climáticas, tem dificultado a tarefa de se fazer previsões econômicas cotidianas. Economistas ouvidos pelo Valor explicam que a perda da capacidade de antecipação dos modelos econômicos ocorre devido ao aumento da frequência e da severidade dos fenômenos meteorológicos. Até o início dos anos 2000, episódios marcantes de El Niño ou La Niña ocorriam a intervalos de cerca de uma década. Hoje, a volatilidade climática passou a integrar o cotidiano, criando entraves rigorosos, sobretudo na agricultura, tanto no plantio quanto na colheita, o que gera efeitos que se propagam gradualmente por toda a economia.

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