19 Agosto 2026
O Congresso censurou o Ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, que é acusado de irregularidades financeiras. Nadia Beller, ex-companheira de Fernando Cerimedo, afirma ter provas de corrupção dentro do governo.
A reportagem é de Axel Schwarzfeld, publicada por Página|12, 19-08-2026.
O governo boliviano sofreu uma série de reveses na terça-feira, incluindo uma moção de censura contra o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, acusado de supostas irregularidades relacionadas a seus bens, e acusações de Nadia Beller, ex-companheira do consultor presidencial Fernando Cerimedo, que afirma ter provas de corrupção dentro do governo após a tentativa de assassinato que sofreu horas antes.
A moção de censura
O Congresso censurou Espinoza por não comparecer à sessão para a qual havia sido convocado para responder a perguntas sobre sua gestão da economia. O ministro enviou uma carta justificando sua ausência, explicando que tinha uma viagem planejada. A maioria do legislativo rejeitou seus argumentos, com 91 votos a favor da moção de censura, em uma sessão com a presença de 129 senadores e deputados. A Lei 1350, que regulamenta os efeitos da censura, especifica que, uma vez que o presidente seja formalmente notificado de tal resolução, ele tem no máximo 24 horas para exonerar o ministro censurado.
Na semana passada, o vice-presidente Edmand Lara apresentou uma denúncia criminal contra o ministro. A denúncia centra-se principalmente na compra de um Audi Q4 e-tron e numa alegada omissão do veículo na declaração de bens e rendimentos apresentada pelo ministro à Controladoria-Geral do Estado. Segundo o documento apresentado pela Vice-Presidência, existem discrepâncias entre o valor oficialmente declarado da transação e o montante que Espinoza terá alegadamente reconhecido ter pago. Agora, Lara abordou explicitamente a tentativa de feminicídio: “Condenamos veementemente o ataque e exigimos uma investigação transparente (...) Cerimedo deve responder perante a justiça e não receber quaisquer privilégios, apesar de ser assessor pessoal de Rodrigo Paz”, afirmou.
Depoimento de Beller
Entretanto, a ex-companheira de Fernando Cerimedo, Nadia Beller, declarou após a tentativa de homicídio que seus agressores levaram seu celular depois de atirarem nela. Ela explicou que o aparelho continha informações relacionadas a supostos atos de corrupção dentro do governo atual. "A primeira coisa que fizeram foi levar meu celular, que continha não só provas da agressão física (contra Cerimedo) e da tentativa de feminicídio anterior, mas também de corrupção relacionada a combustíveis", afirmou.
“Eu tinha provas de outras situações relacionadas ao ouro”, afirmou Beller, especificando que se tratam de pagamentos por meio de contratos negociados com grandes empresas. “Rodrigo Paz não está no comando na Bolívia; quem está é Cerimedo”, enfatizou.
Em uma publicação no Facebook, a mulher escreveu: “A polícia vai acobertar tudo. Vejam como o condecoraram”, junto com a imagem de uma placa em reconhecimento a Cerimedo por um curso de segurança e proteção pessoal, colocada ao lado de uma gaveta cheia de dinheiro que, segundo a denúncia, provinha de atos de corrupção.
As alegações de corrupção
Em julho, 189 quilos de ouro, supostamente destinados à exportação ilegal, foram apreendidos no aeroporto de Viru Viru, mas posteriormente descobriu-se que 22 quilos estavam desaparecidos. Consequentemente, o Estado boliviano é acusado de graves falhas no controle e custódia, bem como de possível cumplicidade ou acobertamento no desaparecimento do ouro.
Em fevereiro, o vice-presidente apresentou uma denúncia criminal contra o chefe da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Yussef Akly, por supostos contratos superfaturados na compra de petróleo bruto e combustíveis, e pediu que o funcionário fosse preso.
O ex-ministro dos Hidrocarbonetos, Mauricio Medinaceli, que ocupou o cargo durante os primeiros meses do governo Paz, foi preso em julho, acusado de ser um dos principais responsáveis pela distribuição de combustível adulterado que teria afetado cerca de 66 mil veículos.
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