11 Agosto 2026
Com grandes lucros motivados pela guerra no Irã e a produção recorde, empresa é cobrada por organizações para acelerar a transição energética.
A informação é publicada por ClimaInfo, 10-08-2026.
Na semana passada, a Petrobras anunciou o 3º maior lucro líquido trimestral em seus quase 73 anos de história. De abril a junho, a petrolífera lucrou US$ 10,4 bilhões (R$ 52,4 bilhões), valor alavancado pela disparada dos preços do petróleo com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã e pelo recorde de produção. Somado ao resultado do 1º trimestre, o lucro líquido da estatal nos seis primeiros meses de 2026 totaliza US$ 16,6 bilhões (R$ 84,9 bilhões).
No mesmo dia em que divulgou o lucro líquido do 2º trimestre, a Petrobras anunciou uma distribuição de dividendos de R$ 17,4 bilhões a seus acionistas por conta do excelente resultado financeiro. Considerando que o governo federal detém cerca de 30% do capital total da petrolífera, irá embolsar R$ 5,2 bilhões desse total. É menos de 30% dos R$ 17,7 bilhões gastos pelos cofres públicos até agora desde o início do conflito no Oriente Médio para subsidiar os preços dos combustíveis e, com isso, tentar evitar uma disparada da inflação. Lucro para quem mesmo?
Com os números do 1º semestre, um levantamento do Poder 360 mostra que a Petrobras foi a 3ª petrolífera mais lucrativa de janeiro a junho, em uma lista com 10 gigantes do setor de petróleo e gás. A brasileira ficou muito atrás da líder do ranking, a saudita Aramco, que registrou lucro líquido de US$ 65,2 bilhões (R$ 333,6 bilhões). Mas muito próxima da segunda colocada, a estadunidense ExxonMobil, que lucrou US$ 18,7 bilhões (R$ 95,6 bilhões).
A companhia repetiu a posição do 1º semestre de 2025, quando lucrou US$ 10,7 bilhões (R$ 54,7 bilhões). Ou seja, o lucro dos primeiros seis meses de 2026 foi 55% superior ao de igual período do ano passado. É um percentual de crescimento semelhante à valorização da cotação média do tipo petróleo Brent, referência internacional, que subiu 54,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para US$ 104 por barril.
O Poder 360 explica que seu levantamento considera o lucro líquido atribuível aos acionistas da controladora, sem o uso de resultados ajustados, que excluem efeitos diferentes a depender da metodologia adotada por cada empresa. O recorte não abrange todas as petrolíferas do mundo, mas uma amostra de companhias relevantes para o setor e com resultados comparáveis e já divulgados.
Diante desses números, organizações da sociedade civil cobraram a Petrobras, destaca o Cenário Energia. Afinal, a petrolífera destinou 84% de seus investimentos no semestre passado para exploração e produção de petróleo e gás. Já os recursos destinados à área de gás e energias de baixo carbono no mesmo período somaram menos de 2% do total – e se concentraram em iniciativas relacionadas ao gás fóssil.
“A Petrobras é a maior empresa do país, com escala, engenharia e caixa que nenhuma outra tem. É justamente por isso que apostar tudo num ativo em declínio é o maior risco que ela pode correr. O estudo ‘A Petrobras de que precisamos’, lançado pelo Observatório do Clima em setembro de 2025, mostra que há um caminho financeiramente viável”, reforçam João Cerqueira e Mirela Coelho, pela campanha “A Petrobras de que precisamos”.
Em tempo
A Petrobras selecionou uma empresa - brCarbon - para adquirir créditos de carbono, gerados a partir de restauração florestal na Amazônia, cujo dono é sócio de uma madeireira punida pelo governo federal por irregularidades na exploração de madeira numa concessão florestal em área preservada no bioma, revela Vinicius Sassine na Folha. A seleção foi feita pelo programa ProFloresta+, iniciativa conjunta da petrolífera e do BNDES. Um dos donos da brCarbon é o empresário Ricardo Batista Tamanho, sócio da madeireira Samise. Quatro dias antes do evento para anunciar as empresas escolhidas no ProFloresta+, no dia 22 de junho, que contou com a presença do presidente Lula, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), puniu a Samise em razão de irregularidades detectadas na exploração de madeira na Floresta Nacional (Flona) de Saracá-Taquera, no noroeste do Pará.
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