30 Julho 2026
Para John Limbert, mantido refém na embaixada em 1979, o presidente não sabe o que quer e não ajuda os negociadores.
A entrevista é de Anna Lombardi, publicada por La Repubblica, 30-07-2026.
Não sou fã do presidente, mas concordei com ele quando disse "chega de guerras estúpidas". Ele ganhou as eleições assim. Agora, se meteu num atoleiro do qual é difícil escapar. No entanto, em 2018, demitiu John Bolton por ser agressivo demais com o Irã. John Limbert, nascido em 1943, é uma lenda da diplomacia americana. Ex-embaixador, ex-pilar do Departamento de Estado para assuntos iranianos, ex-professor de política internacional na Academia Naval e autor de inúmeros ensaios, no outono de 1979, ele foi um dos diplomatas americanos mantidos prisioneiros na embaixada em Teerã por 444 dias. O único que falava farsi, rapidamente se tornou o mais famoso dos 52 reféns.
Eis a entrevista.
Os ataques recomeçaram, a nova trégua já terminou.
Desde o início desta guerra, agimos sem considerar as consequências. Bombardeamos o Irã sem pensar em Ormuz, nos estados do Golfo ou nas bases americanas. No entanto, deveríamos ter um plano para cada possível resposta iraniana. A única estratégia que vejo é bombardear primeiro e depois bombardear mais um pouco: mas isso não nos leva a lugar nenhum e nos encontramos sem armas. Quer queiramos ou não, precisamos conversar com o Irã: porque a rendição unilateral com que o presidente sonha não acontecerá.
Trump acabara de dizer que queria dar mais espaço às negociações.
Um dos princípios da diplomacia é compreender as motivações e os desejos da outra parte, abrindo mão de algo para obter outra coisa. Bem, sabemos que o regime quer se manter no poder e obter o alívio econômico de que tanto precisa. Mas o que nós queremos? Trump muda de ideia todos os dias, e isso não ajuda os negociadores americanos, que, aliás, são inadequados para a tarefa.
Você está falando de Witkoff e Kushner?
Eles esperam chegar a acordos rapidamente. Isso não vai acontecer. Os governantes do Irã não se importam com o sofrimento do seu povo e não vão se render. Infelizmente, Trump despreza a diplomacia e vê a política internacional como uma guerra de gangues no Queens. Ele odeia diplomatas profissionais como eu e meus colegas. Mas, para alcançar resultados eficazes com o Irã, não há alternativa: paciência, compreensão, empatia e perseverança são necessárias, qualidades que não vejo nesta administração.
Você frequentemente mencionava os estudantes revolucionários que ocuparam a embaixada. E o que você acha da atual liderança?
Naquela época, era como falar com uma parede; eles estavam imersos em propaganda, nos atordoavam com slogans. Para sobreviver, tentei entrar em suas mentes, me engajei com eles, tentando entender e me fazer entender. Ironicamente, muitos daqueles revolucionários fervorosos se tornaram reformistas moderados. De muitas maneiras, parece-me que no Irã de hoje, o que aconteceu com a tomada de reféns está acontecendo novamente: quando nos tornamos parte da luta interna.
Como?
Em vez de se voltarem contra os Estados Unidos, os radicais exploraram essa crise de política externa contra inimigos internos: moderados, socialistas, nacionalistas. Usaram-na para incitar o povo. A mesma coisa está acontecendo hoje. Aqueles que começaram a atacar navios no Estreito após o Memorando de Entendimento fizeram isso para desacreditar os negociadores do acordo. Para sabotá-lo. Além disso, está acontecendo aqui nos Estados Unidos também. Os falcões acusam os mediadores de serem lenientes com o Irã, e alguns estão pedindo o desembarque de tropas. Uma loucura.
Você debateu na TV com Khamenei, o futuro Líder Supremo, constrangendo-o.
Usei uma fórmula tradicional: "Vocês são realmente um povo hospitaleiro. Mas amam demais seus hóspedes e não os deixam ir", enfatizando nossa condição de prisioneiros, indignos de um povo civilizado. Khamenei era vice-ministro da Defesa, uma figura secundária. Não me lembro dele como ideológico. Ele apresentava seus argumentos, eu apresentava os meus. Mas ele ouvia e me tratava com respeito. Mais tarde, tornou-se fanático, talvez por oportunismo. Afinal, foi ele quem concordou com o acordo nuclear e com as negociações diretas com os EUA, que Khomeini havia proibido. Cancelar o acordo nuclear foi o primeiro grande erro de Trump.
Por que?
Ele queria se diferenciar de seus antecessores. Mas se é verdade que, depois de 40 anos, não éramos amigos dos iranianos, pelo menos tínhamos um canal de comunicação. Esse acordo poderia ter mudado o Irã: Obama acreditava no poder brando, e sua intuição poderia funcionar. E então, na época do JCPOA, os negociadores eram Ernest Moniz e Ali Akbar Salehi, que haviam estudado juntos no MIT. Eles atuavam em áreas opostas, mas falavam inglês, sem a ambiguidade das traduções que está criando os mal-entendidos atuais. Analisando cada palavra, eles se entendiam perfeitamente.
Como isso vai terminar?
A situação atual está abalando o Oriente Médio. Mas continuo otimista. Precisamos sair dessa situação, e somente a antiga arte da diplomacia funcionará. Se me pedissem um conselho, eu diria: estejam atentos e tenham objetivos claros. Ouçam e sejam ouvidos.
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