Dom Raúl Biord, arcebispo de Caracas, transforma as redes sociais em uma capela de emergência em resposta aos terremotos na Venezuela

Foto: Pexels

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25 Junho 2026

"Oremos pela Venezuela. Neste momento, elevamos nossas orações por todos os afetados, pelos feridos, pelos que estão com medo e pelas famílias que procuram seus entes queridos."

A informação é publicada por Religión Digital, 25-06-2026.

O balanço oficial, divulgado pela presidente interina Delcy Rodríguez, registra pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos, com La Guaira declarada zona de desastre. Sismólogos vinham alertando há anos que a Venezuela está situada sobre um sistema de falhas geológicas ativas — Boconó, San Sebastián, El Pilar — o que torna um grande terremoto uma ameaça constante. Em 24 de junho, essa ameaça se tornou realidade.

A palavra do pastor em meio ao caos

Enquanto os prédios ainda tremiam e as sirenes ecoavam pelas ruas de Caracas, Dom Raúl Biord Castillo, arcebispo metropolitano da capital venezuelana, saiu às ruas para oferecer conforto e ajuda à população e visitar os templos afetados.

De fato, por meio de suas redes sociais, o religioso católico informou que havia iniciado uma visita de inspeção técnica e pastoral aos templos e igrejas paroquiais que sofreram danos materiais devido aos fortes terremotos. Acompanhado por padres locais e especialistas em infraestrutura eclesiástica, o arcebispo confirmou os danos estruturais preliminares, desabamentos de alvenaria e rachaduras graves nas fachadas e interiores de diversos locais sagrados históricos.

Entre as igrejas prioritárias ao longo do trajeto estão a Paróquia de San José de Altagracia (Ñaraulí), a Paróquia de San Bernardino de Siena, a Capela de Nossa Senhora de Coromoto (Pagüita) e outros espaços religiosos nas zonas central e norte da capital. Dom Raúl Biord respondeu com um apelo à união e à solidariedade. Em suas mensagens, ele exortou os venezuelanos a se unirem em apoio às vítimas, conduzindo também orações pelos mortos e feridos.

Após a inspeção, o prelado pegou o telefone e foi para sua paróquia. Através do Instagram — seu canal habitual de comunicação direta com os fiéis — ele publicou uma mensagem de proximidade, oração e mobilização que se espalhou rapidamente entre as comunidades paroquiais da arquidiocese. Com a sobriedade e o calor que caracterizam seu estilo pastoral, o arcebispo transformou as redes sociais em um espaço de comunidade justamente no momento em que o medo tende a isolar.

Sua voz uniu-se à de outros relatos de igrejas venezuelanas que, naquele mesmo dia, levantaram o mesmo clamor: "Oremos pela Venezuela. Neste momento, elevamos nossas orações por aqueles que foram afetados, pelos feridos, por aqueles que estão com medo, pelas famílias que buscam seus entes queridos." E de outros cantos da Igreja latino-americana veio o eco imediato: "Hoje, a Venezuela precisa de oração, ajuda, solidariedade e esperança. Que o Senhor tenha misericórdia de nossa nação. Que Ele proteja cada lar."

México: "O povo venezuelano e sua Igreja não estão sozinhos"

A Conferência Episcopal Mexicana (CEM) não tardou a se manifestar. Por meio de sua conta oficial no Twitter, os bispos do México expressaram sua solidariedade às vítimas do terremoto com uma mensagem que resumiu sucintamente a comunhão latino-americana diante da tragédia: "Nos solidarizamos com os feridos e com as famílias dos falecidos. Perseveremos na unidade do nosso povo". Esta não é a primeira vez que o episcopado mexicano estende a mão: de crises políticas a emergências humanitárias, a CEM mantém uma presença constante ao lado da Igreja venezuelana, convicta de que "o povo venezuelano e sua Igreja não estão sozinhos".

Panamá: proximidade, comunhão e uma palavra para os venezuelanos no exílio

A Igreja Católica no Panamá emitiu um comunicado expressando sua "profunda proximidade, solidariedade e comunhão" com os venezuelanos que sofrem as consequências do duplo terremoto. Os bispos panamenhos ofereceram orações pelas famílias afetadas, pediram força para as vítimas e sabedoria para as autoridades, e expressaram seu apoio explícito à Conferência Episcopal Venezuelana: "Nos solidarizamos especialmente com a CEV, confiando que ela continuará sendo um sinal de esperança, conforto e apoio aos fiéis nestes tempos difíceis".

A mensagem panamenha também teve uma dimensão particularmente emotiva: a menção direta à comunidade venezuelana residente no Panamá — dezenas de milhares de migrantes que vivenciaram o terremoto à distância naquela quarta-feira, com o coração partido —, aos quais os bispos disseram claramente que não estavam sozinhos e que sua dor era também a dor da Igreja panamenha.

Solidariedade da Espanha

Da Espanha, o bispo de Getafe, Dom Ginés García Beltrán, pede a toda a diocese que ore pelas vítimas, suas famílias, os desaparecidos e aqueles que perderam todos os seus bens. Ele também pede orações pelas autoridades e serviços de emergência que trabalham para encontrar sobreviventes. Da mesma forma, o arcebispo de Sevilha, Dom José Ángel Sáiz Meneses, pediu "nossas orações e solidariedade ao povo venezuelano".

A Arquidiocese Militar, por meio de suas redes sociais, também convidou as pessoas a orarem "por todos os venezuelanos afetados pelos terremotos. Nestes momentos de angústia e sofrimento, nós os acompanhamos com nossas orações."

Salesianos na Venezuela

Segundo informações fornecidas pela Província Salesiana da Venezuela, “até o momento não há relatos de vítimas entre os salesianos ou entre as comunidades com as quais foi estabelecido contato”. No entanto, a comunicação com muitas áreas permanece difícil devido a cortes de energia e dificuldades com as redes de telecomunicações, de modo que ainda não foi possível determinar a extensão total da emergência.

As obras salesianas mais afetadas são a escola e a igreja em Sarria, Caracas. A igreja, considerada a mais antiga igreja salesiana do país e um dos locais emblemáticos da presença salesiana desde a sua chegada à Venezuela, sofreu danos estruturais significativos. Danos também foram relatados em outras obras salesianas, incluindo Altamira, cuja igreja apresenta danos visíveis, La Dolorita, Mariches e o Liceu San José, embora menos graves, segundo avaliações iniciais.

Os Salesianos estão presentes na Venezuela desde 1894. Atualmente, realizam sua missão com cerca de 200 salesianos distribuídos em aproximadamente 30 localidades, incluindo escolas, centros de formação, paróquias e projetos sociais. Além do trabalho educativo e pastoral, apoiam crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade e mantêm uma presença missionária significativa entre as comunidades indígenas da Amazônia.

A solidariedade salesiana mundial já foi mobilizada para coordenar a ajuda que a população venezuelana necessitará nesta nova emergência humanitária.

Uma Igreja que age, não apenas ora

Mais do que palavras, a Arquidiocese de Caracas mobilizou suas redes pastorais e de caridade para canalizar ajuda aos bairros mais afetados, onde as moradias populares são sempre as primeiras a ruir. A Cáritas Venezuela e as comunidades locais, mais uma vez, tornaram-se a primeira resposta humanitária efetiva em uma cidade onde o governo chega tarde ou simplesmente não chega.

Na Venezuela, quando a terra treme, a Igreja demonstra, mais uma vez, que há algo que não desmorona: a fraternidade.

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