23 Junho 2026
Economista laureado com o Prêmio Nobel: “Levará meses para retornar a Ormuz” voltar à normalidade. E os armadores não confiam nisso, estão relutantes."JD Vance, que participou da reunião de domingo à noite, continua a apresentá-la como uma vitória americana. Mas é o oposto". James Heckman, nascido em 1944, professor da Universidade de Chicago desde 1973, após ter recebido seu doutorado em Princeton em 1971 e o Prêmio Nobel de Economia em 1990, não confia no que foi acordado na Suíça.
A entrevista é de Eugenio Occorsio, publicada por La Repubblica, 23-06-2026.
Eis a entrevista.
Professor, qual é o ponto fraco?
Em primeiro lugar, os 60 dias concedidos para as negociações. Embora prorrogáveis, são muito curtos em comparação com a complexidade das questões envolvidas. Os atores são imprevisíveis: os americanos, os iranianos, sem mencionar Israel. Há pouca clareza sobre os termos financeiros, a começar por quando o Irã poderá retomar as vendas de petróleo. Quanto aos ativos congelados, as verificações serão longas e complexas. E há ainda o fundo fantasma de 300 bilhões de dólares para a reconstrução, totalmente privado, porque Trump, assim como no caso da Ucrânia, afirmou que o governo não contribuiria com um centavo sequer. Portanto, estamos falando de empresas europeias, sul-coreanas, japonesas e até mesmo americanas, desde que sejam privadas. Além disso, o presidente acrescentou que também não pedirá compromissos aos países do Golfo. E se o governo quisesse contribuir com algo, precisaria da aprovação do Congresso, o que é improvável no momento.
Em resumo, um thriller.
Trump falou sobre investimentos privados em energia, logística, manufatura e transporte. Disse que metade já estava garantida, mas nem sequer mencionou o nome de uma única empresa. O cenário da Venezuela está se repetindo, e pior, porque não há uma classe dominante "amiga" para se apoiar, como em Caracas. O único contrato na Venezuela é com a Exxon, financiadora da campanha de Donald Trump.
No entanto, o Irã parece ter aceitado os inspetores da AIEA, assim como fez durante o governo Obama, e o Estreito de Ormuz foi reaberto.
Mas os navios estão relutantes porque existe o risco de que os iranianos, mais cedo ou mais tarde, imponham algum tipo de taxa de trânsito ou seguro obrigatório. Levará meses para liberar o tráfego e ainda mais tempo para restaurar as reservas estratégicas. Oklahoma, o estado petrolífero por excelência, está abaixo dos níveis críticos, assim como todo o Ocidente.
Nenhum dos seus objetivos foi alcançado?
«O regime mudou, mas tornou-se o que o New York Times chamou de “República Islâmica 3.0”, com a transição de uma teocracia para uma junta militar equipada com uma guarda armada».
Como as monarquias do Golfo irão encarar o apoio americano que lhes foi concedido durante quarenta anos?
"De forma vergonhosa. Os iranianos os bombardearam em retaliação aos bombardeios americanos. Reestabelecer-se sob a proteção dos EUA, que não os protegeu, é difícil porque a relação de confiança foi quebrada. Eles permanecerão por necessidade, leais, mas com reservas. É uma consequência desta guerra sem sentido, mais um fracasso depois do Iraque, Afeganistão, sem mencionar o Vietnã. Paradoxalmente, a única mudança de regime bem-sucedida remonta ao Japão após a Segunda Guerra Mundil — pense no custo humano. Aqui, o único regime a mudar é o do dólar."
Você pode explicar melhor?
Irã, China e Rússia estão abrindo caminho para câmbio regulamentado em outras moedas, talvez digitais. Não será um processo rápido, mas pode ser um dos efeitos colaterais. E é um dos obstáculos para a recuperação de ativos congelados: é improvável que tenham permanecido em dólares, mas em que se transformaram que possam ser gastos?
Na sua opinião, ainda corremos o risco de recessão?
Na Europa, na China e nos Estados Unidos, a inflação está aumentando. Trump está com pressa porque praticamente já perdeu as eleições de meio de mandato, mas sua equipe é incapaz de garantir estabilidade e políticas coerentes. Há cinco anos, a inflação nos Estados Unidos não atinge o nível desejado de 2%. Sem falar das tarifas, que Trump insiste serem pagas por estrangeiros, quando na verdade são um imposto interno.
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