06 Junho 2026
"A quantas andam as pressões políticas para submeter as administrações independentes ao jugo da SABESP e/ou a privatizações? Lembremos que a água é um direito da população e os governos tem que garantir que nenhum cidadão fique à margem desse bem público", escreve Heraldo Campos.
Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).
Eis o artigo.
“Experiências locais de gestão do Aquífero Guarani e trabalhos desenvolvidos com estudantes no município de Ribeirão Preto (SP) visam enfrentar os desafios relacionados à melhor compreensão da qualidade e da quantidade de água desse megarreservatório".
Ribeirão Preto é uma área-piloto para estudo detalhado do Aquífero Guarani, em função do acelerado crescimento urbano e da intensificação das atividades agrícolas e industriais.
A demanda crescente de retirada de água subterrânea do Aquífero Guarani tem levado um comitê gestor internacional a empreender dois tipos de ações:
(a) para promover capacitação local junto a diferentes atores da comunidade local, como pode ser considerado o trabalho desenvolvido pela disciplina de Matemática Aquífero Guarani: ecologia e ciclo da água na Escola Estadual Profª Eugênia Vilhena de Moraes, resultado de reflexões conduzidas para a inovação da prática na mudança do currículo escolar e
(b) ações para promover gestão local e ordenamento territorial do espaço hídrico subterrâneo em conjunto com instituições envolvidas na execução das diversas tarefas de avaliação e conhecimento das características do reservatório; um exemplo disso é não permitir, na zona central da cidade, novas perfurações de poços, a não ser para substituição de poços do abastecimento público.”
O texto acima, é um resumo de um artigo [1] escrito junto com uma colega professora há quase vinte anos atrás e, pelo que se tem notícia, parece que a luta pela água continua em território ribeirãopretano. E em outras regiões do país? A quantas andam as disputas e controles dos reservatórios superficiais e subterrâneos? A quantas andam as pressões políticas para submeter as administrações independentes ao jugo da SABESP e/ou a privatizações? Lembremos que a água é um direito da população e os governos tem que garantir que nenhum cidadão fique à margem desse bem público.
“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” - Madre Teresa de Calcutá
Fonte
[1] Campos, H. C. N. S. & Canesin, M. B. S. Aqüifero Guarani: um retrato 3x4 de gestão e da experiência com estudantes em Ribeirão Preto (SP). Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 3, n. 1, p. 74–85, 2015. Acesse aqui.
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