06 Junho 2026
"Sabendo que se aproximava do fim da vida, mas sempre alegre e afável com todos, Edgar Morin explicava que encontrava a 'mensagem última' de suas décadas de trabalho na 'compreensão do Mistério'", escreve Antoine Peillon, jornalista francês, em artigo publicado por La Croix, 01-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Edgar Morin faleceu na sexta-feira, 29 de maio. Na Resistência, ele forjou seu amor de combatente pela vida. Sociólogo e filósofo, militante humanista e cidadão do mundo, foi um imenso sábio.
Para uma exploração inicial da imensa obra de Edgar Morin, pode-se começar pela L'Aventure de "La Méthode", publicado em 2015. O sociólogo e filósofo, que faleceu na sexta-feira, 29 de maio, aos 104 anos, reuniu nele, como que em uma única inspiração, décadas de pesquisas fundamentais, empenhos cívicos e reflexões morais e espirituais. Era realmente uma "aventura" de vida que Morin, autor de mais de uma centena de livros, compartilhava com seu público de dezenas de milhares de leitores em todo o mundo, já que sua obra foi traduzida para cerca de trinta idiomas.
A busca intelectual de Edgar Nahum (Morin é seu nome como membro da resistência, que ele posteriormente manteve), nascido em 8 de julho de 1921 em Paris, teve início no "mundo sonâmbulo" da década de 1930. Rejeitando tanto o nazismo quanto o stalinismo, o jovem Edgar, leitor insaciável, foi um daqueles "buscadores da terceira via" influenciados por Simone Weil, Robert Aron e pela revista Esprit de Emmanuel Mounier... Desde o início da ocupação alemã, compreendeu que a história, apesar das aparências do destino, poderia tomar um rumo diferente a qualquer momento. Em 1940, Hitler proclamava a chegada de um "Reich de mil anos". Mas já em outubro de 1941, o exército alemão se via atolado diante de Moscou. Por ocasião da entrada no Panteão de Germaine Tillion, Geneviève de Gaulle-Anthonioz, Pierre Brossolette e Jean Zay, em 27 de maio de 2015, Edgar Morin recordava os primeiros jovens que disseram "não", como Pierre Hervé, um dos líderes do movimento Libération-Sud com Jean-Pierre Vernant, e contava sobre seu estado de espírito na época: "Éramos jovens, tínhamos o ímpeto e o fervor da juventude, acreditávamos que viver significava arriscar a vida, não se esconder". Ele também falava sobre as esperanças e os ideais de todos aqueles jovens que se engajaram na luta contra a ordem petainista de colaboração com os nazistas: "Reinava uma espécie de messianismo. Estávamos convencidos de que, depois da guerra, criaríamos uma nova sociedade, um novo mundo. Resistir era, claro, arriscar a vida, mas também viver na exaltação pela pátria e pela humanidade".
Em 1942, aos 21 anos, Edgar Morin juntou-se à Resistência clandestina, primeiro em Toulouse e depois em Lyon. Em 1943, tornou-se comandante das Forças Francesas Livres (Gaullistas). Esse empenho marcou para sempre o filósofo na ação.
Em abril de 2015, ele contava ao jornal La Croix que situava suas ações públicas "na esteira da Resistência". Esclarecia vividamente: "Hoje, contra o que devemos resistir? Contra duas barbáries. Uma barbárie que todos conhecemos, que se manifesta no Daesh, com os atentados, com os mais diversos fanatismos. E a outra barbárie, fria, gélida, que é a barbárie do cálculo, do dinheiro, dos interesses. Diante dessas duas barbáries, todos deveriam resistir hoje."
Sabendo que se aproximava do fim da vida, mas sempre alegre e afável com todos, Edgar Morin explicava que encontrava a "mensagem última" de suas décadas de trabalho na "compreensão do Mistério". "Agora, já estamos praticamente envoltos em mistérios insondáveis que se unem em um grande e supremo Mistério. A poesia do viver envolve a presença do Mistério", afirmava em entrevista ao jornal La Croix, em junho de 2015, dizia sentir-se impressionado com o fato de lhe ser atribuída a ideia de que o monoteísmo é "um flagelo da humanidade". Constatava que "as religiões são realidades antropológicas" e que "os cristãos, quando inspirados pela fonte de sua fé, são tipicamente pessoas de boa vontade, que pensam no bem comum". A esse respeito, lembrava a aliança nascida durante a Resistência: "Era surpreendente ver a fraternização entre comunistas e cristãos, porque havia aspirações terrenas comuns". Fé de um eterno resistente!
Leia mais
- Edgar Morin, um dos maiores pensadores do século XX, morre aos 104 anos
- Edgar Morin e o seu centenário. Odisseia, complexidade e incerteza
- Edgar Morin (1921-2026): “A experiência me mostrou que o improvável pode acontecer”
- Edgar Morin (104 anos), filósofo, sobre a felicidade: “A velhice é um terreno fértil para a criação e a rebeldia”
- “O progresso carrega dentro de si um buraco negro”. Artigo de Edgar Morin
- O novo Humanismo. Artigo de Edgar Morin
- “Diante do pensamento socialista em ruínas, a missão do intelectual torna-se uma luta”, segundo Edgar Morin
- A resistência do espírito. Artigo de Edgar Morin
- Por um novo humanismo planetário. Artigo de Edgar Morin
- Os cem anos de Edgar Morin: filósofo da complexidade e da obsessão pela verdade