Para os futuros padres, itinerários de formação no coração das comunidades, com a ajuda de mulheres e leigos

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05 Março 2026

O padre? Ele é, em primeiro lugar, um homem de relação, uma pessoa que está a serviço da comunidade e se deixa acompanhar por ela. Mesmo em sua formação. Nessa convicção se alicerça o Relatório Final do quarto Grupo de Estudos, criado após o Sínodo sobre a Sinodalidade, composto por nove membros e incumbido de trabalhar numa revisão da Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis, ou seja, o documento que estabelece as diretrizes para a formação de sacerdotes.

A reportagem é de Matteo Liut, publicada no jornal Avvenire, 04-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

A proposta resultante não é uma reforma estrutural da Ratio, mas sim um documento de orientação em prol de sua implementação. O grupo reconhece, de fato, que a Ratio de 2016 é "um documento recente, ainda em processo de assimilação" e que trouxe "contribuições importantes" para uma Igreja missionária e sinodal. Por essa razão, considera-se mais oportuno "não mexer na Ratio em si", mas oferecer critérios atualizados que ajudem as Igrejas a implementá-la de forma mais coerente com o caminho sinodal.

O cerne do Relatório é a convicção de que a formação não pode ocorrer em mundos separados da vida real das comunidades. O Seminário continua sendo um lugar essencial, mas não pode ser "uma experiência prolongada longe do Povo de Deus". Ao lado da residência tradicional, estão previstos períodos de formação em paróquias, comunidades eclesiais ou outros contextos pastorais, para "vivenciar a condição humana comum" e amadurecer na responsabilidade, no serviço e na proximidade. Entre as propostas mais fortes está a inclusão estável de leigos, famílias e mulheres nos processos de formação e de discernimento.

O documento afirma que é indispensável "uma participação ampla e efetiva de todos os componentes do Povo de Deus", reconhecendo o valor da contribuição feminina, inclusive nas equipes pedagógicas. Essa presença, enfatiza o texto, ajuda a captar aspectos da maturação humana e relacional dos candidatos que muitas vezes não emergem em contextos exclusivamente clericais. É um passo que contribui para a formação de sacerdotes mais equilibrados e capazes de colaboração. O Relatório insiste, além disso, num currículo que desenvolva competências fundamentais para uma Igreja sinodal: escuta, diálogo, discernimento comunitário e corresponsabilidade. O documento pede que a eclesiologia seja relida "numa chave sinodal e missionária" e que se fortaleça a compreensão do sacerdote como homem inserido no tecido vivo das vocações e dos carismas.

Igualmente importantes são a formação dirigida à proteção de menores e pessoas vulneráveis e a atenção à cultura digital, hoje imprescindível para a proclamação. A dimensão missionária permeia todo o processo. O Relatório fala da necessidade de uma "paixão pela missão", a ser cultivada por meio de experiências concretas junto aos pobres, nos contextos de fragilidade e nas periferias sociais e culturais. São momentos que ajudam os futuros sacerdotes a compreender que o ministério nasce e cresce na proximidade, não na abstração.

Por fim, o documento propõe um discernimento mais compartilhado em vista das ordens sacras: a avaliação dos candidatos não se limita aos formadores, mas envolve todos aqueles que os encontraram na vida pastoral, incluindo mulheres e famílias. É uma forma de reafirmar que a vocação não pertence ao indivíduo, mas à comunidade que a reconhece. O Relatório aponta, portanto, um caminho exigente e concreto: formar sacerdotes que cresçam dentro da vida do Povo de Deus, aptos a trabalhar com todos, ricos em relações autênticas e enraizados na missão.

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