Teólogo jesuíta irlandês alerta os bispos de que o Sínodo deve debater a ordenação de mulheres: "Não fazer nada não é uma opção"

Foto: Yuri Figueiredo/Unsplash

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24 Fevereiro 2026

"Ele descreve a incapacidade da Igreja de lidar com essa questão como 'um escândalo, um obstáculo à missão'".

A informação é publicada por Religión Digital, 23-02-2026.

Um proeminente teólogo jesuíta irlandês fez um apelo público aos bispos — incluindo os da Irlanda — para que solicitem a Roma a abertura de um debate sinodal sobre a ordenação de mulheres, colocando este tema na agenda dos grupos de estudo que acompanham o Sínodo. A proposta, relatada por Garry O'Sullivan no jornal The Irish Catholic em 19-02-2026, argumenta que os bispos não devem simplesmente "ficar de braços cruzados", mas sim assumir a responsabilidade de discernir, tanto pastoral quanto teologicamente, um ensinamento que, segundo o jesuíta, atualmente representa um "obstáculo à missão" da Igreja.

De acordo com o The Irish Catholic, o jesuíta irlandês exortou os bispos – “incluindo os bispos irlandeses, que não têm objeções ao ensinamento atual da Igreja sobre a ordenação de mulheres” – a pedirem a Roma que inclua a questão da ordenação feminina no programa dos grupos de estudo que darão seguimento ao Sínodo.

Em um artigo publicado na revista The Furrow em fevereiro, o teólogo O'Hanlon escreve: "Proponho que os bispos peçam a Roma que inclua esta questão no programa de trabalho que acompanhará os grupos sinodais."

O jesuíta argumenta que esse passo não seria uma ruptura, mas sim "uma maneira honesta e corajosa de confrontar" o que ele descreve como "um sentimento de estagnação e uma imagem de intransigência", que é percebida entre muitos fiéis.

Lembre-se também de que o sensus fidei dos batizados e o ensinamento podem ser “esclarecidos ou reformulados” ou mesmo, “com a ajuda de teólogos, revisados”.

Ele reconhece que a abordagem “primeira e mais óbvia” para os bispos é “não fazer nada” e continuar expandindo a participação das mulheres na Igreja “sem revisar” a doutrina, mas alerta que reservar os ministérios ordenados para os homens tem “um poderoso uso simbólico e é um importante ponto de discórdia para muitos, especialmente os jovens”. Além disso, ele descreve a incapacidade da Igreja de lidar com essa questão como "um escândalo, um obstáculo à missão".

O padre O'Hanlon recorda que a Pontifícia Comissão Bíblica, na década de 1970, não concordou que a Igreja não tivesse autoridade para ordenar mulheres, e salienta que o próprio Papa Francisco, ao reafirmar a doutrina atual, disse que a questão da natureza definitiva deste ensinamento "requer um maior esclarecimento teológico".

Portanto, o apelo dos jesuítas dirige-se diretamente aos bispos: eles não são "meros delegados do Papa ou CEOs de uma corporação multinacional", mas pastores com a responsabilidade de discernir a Igreja universal.

E, finalmente, em seu texto, ele levanta uma questão incômoda: “Se o Papa ordenasse uma mulher sacerdote e presidisse a Eucaristia com ela, vocês se escandalizariam, se ofenderiam ou se alegrariam?” Com essa pergunta, o teólogo nos convida a ir além do tabu que envolve o assunto e a torná-lo um tema de discernimento sinodal aberto e explícito.

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