Trump retira os EUA da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e de outras 66 organizações internacionais

Foto: Daniel Torok/The White House/Flickr

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09 Janeiro 2026

Quase a metade dos organismos que os Estados Unidos acabam de abandonar está vinculada às Nações Unidas.

A reportagem é de Pablo Rivas, publicada por El Salto, 08-01-2025. 

O afastamento dos Estados Unidos do multilateralismo que guiou as relações internacionais nas últimas décadas deu, nesta quarta-feira, 7 de janeiro, um salto gigantesco. Donald Trump assinou uma ordem pela qual o país que preside se retira de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, incluindo a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A Ordem Executiva 14199, de Retirada dos Estados Unidos e do Financiamento a Certas Organizações das Nações Unidas e Revisão do Apoio dos Estados Unidos a Todas as Organizações Internacionais, afirma que a longa lista de entidades — principalmente voltadas ao clima, ao ecologismo, às migrações e aos direitos humanos e trabalhistas — “é contrária aos interesses dos Estados Unidos”, motivo pelo qual proíbe “continuar sendo membro, participar ou prestar apoio de qualquer outra forma” a qualquer uma delas.

Marco Rubio recorre à conspiranoia

Em um comunicado no tom populista habitual da administração Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, qualifica essas organizações como “desperdiçadoras, ineficazes e prejudiciais”, assegurando que “são redundantes em seu alcance, estão mal administradas, são desnecessárias, esbanjadoras, mal geridas, deixam-se levar pelos interesses de atores que promovem suas próprias agendas contrárias às nossas, ou representam uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral de nossa nação”.

Rubio vai além e agita a bandeira das teorias conspiratórias ao afirmar que “o que começou como um marco pragmático de organizações internacionais para a paz e a cooperação transformou-se em uma extensa arquitetura de governança global, frequentemente dominada por uma ideologia progressista e desvinculada dos interesses nacionais”.

Alvos especiais do secretário de Estado foram as políticas climáticas, o feminismo e a cooperação internacional. “Desde os mandatos de DEI até as campanhas de ‘equidade de gênero’ e a ortodoxia climática, muitas organizações internacionais agora servem a um projeto globalista enraizado na fantasia desacreditada do ‘Fim da História’”, declarou, assegurando que os organismos citados buscam “limitar a soberania americana” e que seu trabalho é impulsionado pelo que ele classifica como “redes de elite”, como o populismo da extrema direita dos Estados Unidos costuma denominar as organizações não governamentais.

Um golpe na luta contra a crise climática

Entre a lista de organismos abandonados pela administração Trump destaca-se a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, a entidade que orienta a cooperação entre as nações do mundo para tentar frear a crise climática e da qual fazem parte quase 200 países.

Embora seja um passo esperado, dada a deriva negacionista do atual governo norte-americano — e após a saída do Tratado de Paris, algo que Trump já fez em 2017 durante seu mandato anterior e anunciou novamente assim que retomou o poder —, a decisão representa um novo avanço do negacionismo, pois tem consequências importantes. Não apenas implica a perda dos recursos dos EUA para enfrentar o principal problema que a humanidade enfrenta e a inação da principal potência econômica e do segundo país que mais emite gases de efeito estufa, como também “pode encorajar outros governos populistas de direita ao redor do mundo a também abandonar seus compromissos climáticos”, conforme denunciam desde o Global Strategic Communications Council.

O comissário europeu do Clima, Wopke Hoekstra, classificou a decisão como “lamentável e infeliz”.

A medida foi duramente criticada por diversos setores. Na Espanha, a ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, declarou que “é profundamente lamentável que um ator que foi fundamental em sua criação e consolidação agora dê um passo atrás”.

Cabe destacar que os Estados Unidos também se retiraram do principal organismo científico dedicado ao estudo da mudança climática: o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC).

A retirada não se limita, contudo, ao âmbito climático. Entre as organizações abandonadas pelo país estão o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), a Plataforma Intergovernamental Científico-Normativa sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (Ipbes), a Aliança de Civilizações, o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral, o Fórum Internacional de Energia e a União Internacional para a Conservação da Natureza, entre outras.

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