29 Agosto 2025
"É um momento de luta contra as tendências que apontam para o colapso ambiental e climático. A ocasião serve como catalisador para educação, ativismo político e social, além de fortalecer a rede de organizações e indivíduos engajados com a causa pelo fim do especismo"
O artigo é de José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia, em artigo publicado por EcoDebate, 27-08-2025.
Eis o artigo.
O crescimento das atividades antrópicas tem provocado a 6ª extinção em massa das espécies e uma crise climática sem precedentes na história humana. Nos últimos 250 anos a população mundial cresceu de 9,5 vezes, a economia cresceu 177 vezes e renda per capita cresceu 18.5 vezes. A expectativa de vida ao nascer triplicou e o padrão de consumo aumentou consideravelmente. Porém, todo o progresso humano ocorreu paralelamente ao retrocesso da rica biodiversidade da Terra à aceleração do aquecimento global.
O artigo “Breaching planetary boundaries: Over half of global land area suffers critical losses in functional biosphere integrity” (Stenzel et al. 15/08/2025), publicado na prestigiosa revista One Earth, mostra que a integridade dos ecossistemas já foi gravemente comprometida em grandes partes do planeta. Essas descobertas podem informar a governança ambiental global e local, ajudando formuladores de políticas, agências de conservação e planejadores do uso da terra a evitar novas violações desses limites e a limitar o risco de desencadear mudanças ambientais abruptas, irreversíveis ou de larga escala.
A figura abaixo mostra o Índice Planeta Vivo (LPI), que registra alterações na abundância relativa das populações de espécies vertebradas selvagens ao longo do tempo. A abundância relativa refere-se à taxa de mudança das populações de animais selvagens ao longo do tempo, independentemente do tamanho dessa população. As populações podem conter muitos indivíduos ou pouquíssimos: ao medir a mudança na abundância relativa, o rastreia a tendência média em vez de aumentos ou reduções do número total de indivíduos.
Apesar de 30 anos de intervenções políticas para conter a perda da natureza, os declínios mostrados em relatórios anteriores continuam. O LPI global 2024 mostra uma diminuição de 73% entre 1970 e 2020 (intervalo: -67% a -78%), o que representa um declínio médio anual de 2,6%. Isso significa que, ao longo de 50 anos, o tamanho das populações de animais selvagens monitoradas reduziu, em média, em quase três quartos. Quase 35.000 tendências populacionais e 5.495 espécies estão incluídas no LPI.

Fonte: World Wild Life.
Esses dados são coletados em locais de monitoramento em todo o mundo e incluem populações que estão aumentando, diminuindo ou estabilizadas ao longo do tempo. Nem todas as populações do LPI estão em declínio: muitas apresentam tendências positivas ou estáveis e isso varia frequentemente de acordo com o tipo de espécie e região do mundo em que elas vivem. Ao monitorar as mudanças no tamanho das populações de espécies ao longo do tempo, o LPI nos ajuda a entender a saúde dos ecossistemas. As tendências na abundância de populações, ou quantos indivíduos existem de cada espécie num determinado local, mostram o bom funcionamento dos ecossistemas. Populações estáveis em longo prazo proporcionam resiliência contra distúrbios como doenças e eventos climáticos extremos. Um declínio nas populações, como mostra o LPI global, diminui a resiliência e ameaça a estabilidade do ecossistema.
Este índice global é uma média dos três índices que medem as mudanças nos ecossistemas em terra, nos nossos rios e lagos, e no mar. Os resultados indicam que a natureza está diminuindo em média em todos os sistemas: terrestre (69% de declínio – intervalo: -55% a -79% –, o que representa um declínio médio anual de 2,3%), água doce (85% de declínio – intervalo: -77% a -90% –, o que representa um declínio médio anual de 3,8%) e marinho (56% de declínio – intervalo: -43% a -66% –, o que representa um declínio médio anual de 1,6%).
O especismo é a discriminação contra indivíduos com base em sua espécie. Assim como o racismo e o sexismo, o especismo é uma forma de preconceito que hierarquiza o valor dos seres vivos, considerando uma espécie (geralmente a humana) moralmente superior às outras. Isso leva à exploração e ao sofrimento de bilhões de animais não humanos em diversas áreas, como alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisa.
A celebração do Dia Mundial pelo fim do Especismo varia de um país para outro, com eventos organizados por grupos de direitos dos animais, ativistas independentes e ONGs. É um momento de luta contra as tendências que apontam para o colapso ambiental e climático. A ocasião serve como catalisador para educação, ativismo político e social, além de fortalecer a rede de organizações e indivíduos engajados com a causa pelo fim do especismo.
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