15 Agosto 2025
Sistemas de refrigeração, antes reservados às regiões mais quentes da Itália e da Espanha, são cada vez mais comuns ao norte.
A informação é publicada por ClimaInfo, 14-08-2025.
Na Europa, aparelhos de ar-condicionado são impopulares. Ou eram, pois os verões com diversas ondas de calor estão se tornando normais. Países que anteriormente viviam sob verões amenos, agora estão experimentando temperaturas de 39°C. A Inglaterra e o país de Gales, por exemplo, entraram oficialmente em sua quarta onda de calor do ano.
As compras de ar-condicionado residencial dobraram na Europa desde 2010, com lojas e marcas registrando recordes em países como Alemanha e Áustria. A empresa Hitachi, por exemplo, estima que até 2035, metade das casas francesas tenham um ar-condicionado da marca, informa a Bloomberg.
A demanda gera alerta nas autoridades pela pressão às redes elétricas, muitas projetadas para climas mais amenos. Os governos enfrentam agora uma questão difícil: como manter sua população em temperaturas mais confortáveis sem aumentar a dependência – e as emissões – dos combustíveis fósseis.
O medo de apagão não é uma preocupação teórica: quando uma onda de calor atingiu o sul da Europa em julho, as redes elétricas na Itália falharam, causando apagões em várias regiões.
Outra preocupação é a lenta reforma de edifícios no continente, construídos originalmente para reter o calor dentro de casa – característica vantajosa para o inverno, mas problemática nos verões mais longos e escaldantes. As ondas de calor e falta de resfriamento têm sido vistas cada vez mais como um risco à saúde. Autoridades do Reino Unidos emitiram alerta amarelo de saúde em oito regiões do país e recomendaram atenção para pessoas com mais de 65 anos ou com problemas de saúde graves, relata a Sky News.
O climatologista e porta-voz da agência meteorológica espanhola, José Camacho, lembra no Guardian que “a principal característica [da onda de calor] é a duração e a extensão, e não a intensidade”, apesar das altas temperaturas chamarem mais a atenção.
O clima quente em toda a Europa secou a vegetação e fez incêndios florestais virarem o que cientistas chamaram de “coquetel molotov”. Os incêndios florestais queimaram mais de 400 mil hectares esse ano – 87% a mais do que a média para a época nas últimas duas décadas. Anomalias climáticas são esperadas em grande parte no sul da Europa e países nórdicos nos próximos dias.
A Comissão Pan-Europeia sobre Clima e Saúde afirmou que a mortalidade relacionada ao calor na Europa aumentou 30% nas últimas duas décadas, com mais de 100.000 mortes registradas, ressalta a BBC. Independent, Wion, Reuters, El Pais também destacam o recorde de altas temperaturas na Europa.
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