26 Março 2025
Sem mencionar diretamente o Papa Francisco, a Embaixada de Israel junto à Santa Sé respondeu à condenação do pontífice, feita no domingo, sobre a retomada dos "pesados bombardeios israelenses" em Gaza, afirmando que a ação militar renovada ocorre porque o Hamas não está respeitando as condições de cessar-fogo.
A reportagem é de Elise Ann Allen, publicada por Crux, 25-03-2025.
"A operação israelense é realizada em total conformidade com o direito internacional e busca reduzir ao mínimo os danos civis", afirmou um comunicado da Embaixada de Israel junto à Santa Sé, datado de 24 de março.
A Embaixada de Israel insistiu que a recente atividade militar de Israel na Faixa de Gaza está sendo conduzida "em total conformidade com o direito internacional. Enquanto o Hamas ataca deliberadamente civis, Israel adota medidas extraordinárias para reduzir ao mínimo os danos civis".
"Cada vítima civil é uma terrível perda", afirmou o comunicado.
O comunicado foi enviado em resposta às declarações do Papa Francisco em sua alocução do Angelus de domingo, que, nas últimas seis semanas consecutivas, ele não fez pessoalmente devido à sua internação, mas optou por publicar o texto de sua mensagem.
Antes de ser liberado do Hospital Gemelli de Roma em 23 de março, após passar cinco semanas lá lutando contra uma infecção respiratória complexa e pneumonia dupla, o papa pediu o fim da retomada das hostilidades em Gaza em seu texto do Angelus.
Francisco, na alocução, expressou tristeza pela retomada dos "pesados bombardeios israelenses" na Faixa de Gaza, encerrando um frágil acordo de cessar-fogo, e lamentou o crescente número de mortos e feridos.
Na mensagem de domingo, ele pediu que "as armas fossem silenciadas imediatamente" em Gaza e expressou esperança de que todas as partes envolvidas no conflito "tenham a coragem de retomar o diálogo, para que todos os reféns sejam libertados e um cessar-fogo definitivo seja alcançado".
Francisco também lamentou a crise humanitária em Gaza e expressou sua esperança de que um "compromisso sério e urgente" seja feito para aliviar a situação pelas partes em guerra e pela comunidade internacional.
Após um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas ser firmado há cerca de dois meses, Israel retomou as operações militares aéreas e terrestres em 18 de março, com as autoridades de saúde palestinas afirmando que os ataques renovados mataram 700 palestinos, mais da metade dos quais são crianças.
Autoridades de saúde de Gaza estimam que pelo menos 50.000 pessoas tenham morrido desde o início da guerra, em 07-10-2023, após um ataque do Hamas a Israel que deixou 1.200 mortos e mais de 250 reféns, alguns dos quais continuam em cativeiro.
No comunicado de segunda-feira, a Embaixada de Israel, embora não tenha mencionado diretamente o Papa Francisco, afirmou que retomaram os ataques em 18 de março, quase 20 dias após a primeira fase do acordo de cessar-fogo, relacionada ao retorno dos reféns.
A razão, disse a embaixada, foi "a falta de progresso nas negociações para a liberação dos reféns e após o Hamas ter rejeitado duas propostas distintas apresentadas pelo enviado do Presidente dos Estados Unidos", Steve Witkoff, Enviado Especial americano para o Oriente Médio.
"O Hamas violou repetidamente o cessar-fogo e o usou para reconstruir ativamente seu arsenal militar, estocando armas e restaurando locais de lançamento de foguetes, como demonstrado pelos recentes ataques contra Israel", dizia o comunicado.
Cerca de 59 reféns permanecem em cativeiro em condições desumanas, sendo submetidos a abusos físicos e psicológicos, afirmou o comunicado, observando que outros reféns libertados relataram ter sofrido tratamento semelhante, "em clara violação da lei internacional".
"O Estado de Israel mantém que é seu dever moral e ético trazê-los de volta para casa", afirmou a embaixada.
Em resposta às alegações sobre o agravamento da crise humanitária em Gaza, a embaixada disse que o fluxo de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza não foi interrompido, mas, sim, os suprimentos estão sendo "desviados" pelos militantes do Hamas.
Nesse sentido, observaram que em 20 de março, Eli Sharabi, um refém israelense libertado, disse ao Conselho de Segurança da ONU que ele testemunhou pessoalmente que, quando a ajuda humanitária chegou, "o Hamas a roubou".
"Dezenas e dezenas de caixas, pagas pelos seus governos, estão alimentando os terroristas que me torturaram e assassinaram minha família", disse Sharabi, afirmando: "O Hamas come como reis enquanto os reféns morrem de fome. O Hamas roubou dos civis".
A embaixada afirmou que, durante o período de cessar-fogo, Israel entregou 25.200 caminhões de alimentos, combustíveis e outras necessidades básicas, mas os militantes do Hamas "roubaram a maior parte dessa ajuda para reforçar sua estrutura terrorista".
A ajuda humanitária está atualmente se acumulando nos armazéns do Hamas e se tornando uma fonte de renda para o grupo, que a está usando para pagar seus membros, segundo o comunicado.
"Nessas circunstâncias, a decisão de Israel de facilitar o acesso a bens só se aplica quando não houver motivos sérios para acreditar que os suprimentos serão desviados de seu propósito civil ou proporcionarão uma vantagem militar clara ao inimigo", afirmou.
A embaixada reafirmou o compromisso de Israel em alcançar seus objetivos em Gaza, que são "garantir a liberação de todos os reféns, desmantelar as capacidades do governo e militar do Hamas e remover a ameaça terrorista da Faixa de Gaza para impedir outro 7 de outubro".