Padre Casimiro Irala SJ: reforma na liturgia e vanguarda na evangelização dos jovens

Casimiro Irala | Foto: Arquidiocese de Salvador

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04 Dezembro 2024

Legado do músico, religioso, entusiasta da arte como meio de aproximação de Deus, deixa marcas na história da Igreja no Brasil

A reportagem é de Carla Ferreira, jornalista católica, membro do Grupo OPA e biógrafa.

Artista de alma e jesuíta por vocação, Padre Casimiro Irala SJ, fundador do Grupo Oração Pela Arte (OPA), partiu para o plano divino no último dia 1º de dezembro de 2024, aos 88 anos. Sua trajetória, iniciada desde que ingressou no noviciado na Companhia de Jesus em 1956, é marcada por um contato intenso com jovens, sempre vinculado à arte e à música, o que o fez construir um legado que deixa um rastro significativo na história da Igreja Católica do Brasil.

Os frutos e as consequências do trabalho do sacerdote paraguaio, nascido em Assunção, que chegou ao Brasil durante o período de formação como sacerdote na década de 60, em plena ditadura, transpõem sua presença física e se eternizam pelo potencial que deixa como meio de evangelização e de aproximação de Deus para os jovens (de idade e de espírito).

Por conta de sua obra, o canto das celebrações e demais atividades evangelizadoras passou a ser atraente para a juventude, com linguagem e melodia que abriram as portas do sagrado para muitas pessoas, de diversas faixas etárias. O uso das expressões artísticas estabeleceu uma nova forma de diálogo com o divino, proporcionando a experiência do Encontro com Deus de forma bem singular, para milhares de católicos ativos e não ativos na eclésia.

Como precursor da inserção da arte na liturgia, foi um dos primeiros religiosos na América Latina a tocar violão e incorporar a expressão nas celebrações. Seu primeiro disco, “Navidad em Paraguay”, foi produzido em 1964, já utilizando guitarras, o que era uma novidade para a época, em que as missas eram celebradas em latim.

Desde quando percebeu que era possível tornar a liturgia criativa, saiu à procura de pessoas que tivessem a mesma vontade: encontrar caminhos para a Igreja Católica se tornar atraente para o jovem, o homem, a mulher. Começou a estudar Teologia em 1966. Até a ordenação, em 14 de dezembro de 1968, passou por cinco países (Bolívia, Chile, México, Paraguai e Brasil) e incontáveis cidades; só no Brasil, esteve em quatro estados diferentes: São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, cumprindo o processo de formação que durou 14 anos.

Nesse período teve acesso a muito do conhecimento que o levou à principal criação de seu legado, o Oração Pela Arte (OPA), um encontro que reúne crianças, adultos e jovens para, num clima propício, criarem maneiras de transmitir a mensagem evangélica, seja por meio da música, do teatro, da arte plástica, fotografia, poesia, texto. Todos, em grupo, criam e convergem para a oração, colocam a arte à serviço da oração, do apostolado, da evangelização, da comunicação.

Padre Irala entregou sua tecnologia para a Igreja e hoje deixa mais de 20 discos gravados, livros publicados e mais de 300 canções compostas, entre elas a popular Oração de São Francisco, cuja melodia foi composta para ser apresentada num programa de TV por um coral de religiosas. Teve versões gravadas por Fagner, Ana Carolina, Maria Bethânia, Padre Fábio de Melo SJ, Padre Zezinho SJ; virou tema de novelas da Globo, como a Velho Chico (2006) e a Renascer (1993).

“É morrendo que se vive para a vida eterna”, como diz a própria letra da canção. E é assim, por meio de sua obra, que Padre Irala SJ se eterniza na história. Um pouco mais sobre seu legado pode ser acessado no site do Grupo OPA: nos canais do Spotify, Youtube e redes sociais “Grupo OPA”.

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