Dia das mulheres pregadoras: sair da “zona cinzenta”. Entrevista com Marlies Hennen-Nöhre

Foto: Wikimedia Commons

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09 Mai 2023

A “Comunidade Feminina Católica da Alemanha” envia este ano pela quarta vez as mulheres para pregar no Dia das mulheres pregadoras na Alemanha. Caso contrário, fala Marlies Hennen-Nöhre, integrante do movimento Frauengemeinschaft Deutschlands, falta uma voz importante.

A entrevista é de Tobias Fricke, publicada por Dom Radio, 07-05-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Durante o Dia das mulheres pregadoras na Alemanha, 17 de maio, muitas mulheres pedem para tomar a palavra durante a celebração da Eucaristia. Você prega nas noites de domingo na catedral de Essen. Por que participa do Dia das mulheres pregadoras?

Participo porque as mulheres são muito importantes para o trabalho nas paróquias e para a transmissão da vida de fé, mas na celebração da Eucaristia permanecem na sombra. Eu simplesmente gostaria de tornar evidente que se as mulheres não podem pregar e não podem anunciar as boas novas, falta uma voz muito importante, falta o ponto de vista das mulheres.

Mas não é permitido.

Sim, oficialmente ainda não é permitido.

Há algum problema ao subir no púlpito?

Nunca se sabe se estão presentes pessoas que não aceitam, que vão embora. Em si, eu não vejo irritação, mas grande confiança. Considero muito importante que aquilo que é efetivamente feito, ou seja, a proclamação da Palavra também por mulheres e não consagrados, saia da zona cinzenta e se torne visível.

Afinal, foi uma decisão tomada pela maioria: a maioria do Caminho Sinodal se expressou em favor de não consagrados pregarem na celebração da Eucaristia.

Púlpito barroco (Foto: Catedral de Riga)

Você acha que isso está sendo realizado agora nas dioceses?

Não posso falar por todas as dioceses, mas tenho a certeza de que na nossa diocese de Essen tudo o que é possível, se as portas se abrirem, também é realizado. Eu mesmo sou uma encarregada paroquial, ou seja, faço parte do grupo que dirige a paróquia. Essas também são possibilidades que são examinadas na diocese de Essen, aqui as coisas são experimentadas, e quando uma brecha se abre, depois se abrem as portas. Será o mesmo para a pregação também.

As dioceses são obrigadas a reagir contra essa decisão do Caminho Sinodal? Ou podem simplesmente dizer que não querem fazer isso?

Creio que quase nada de obrigatório tenha saído do Caminho Sinodal. Mas naturalmente decidiram por maioria e, portanto, acho que também exista uma responsabilidade de dizer: o que decidimos, nós o executamos.

Você pregará sobre a coragem de mudar, não sobre a inconstância, mas sobre a coragem de mudar. O que você quer dizer?

É uma expressão que ao longo do tempo, ao refletir sobre este Dia, sempre me veio à mente. Deriva certamente das leituras de domingo. Neste domingo falamos do Evangelho de João: "Não se perturbe o vosso coração" (Jo 14,1). Gostaria de apresentar a frase de Jesus “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” como uma espécie de ajuda para dissolver o medo. Vejo o que move e interessa as pessoas para quem prego e com quem celebro a Eucaristia. Procuro criar contato e convidar a ter coragem de descobrir onde podemos mudar as coisas e onde podemos desenvolver também o que às vezes nos confunde e nos prende, e trilhar novos caminhos. Também pedi que algumas mulheres me contassem o que as leva a mudar, o que lhes dá coragem para mudar.

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