Mais de 20% do território amazônico se perdeu de forma irreversível

Áreas de desmatamento no município de Careiro da Várzea, no Amazonas próximo às Terras Indígenas do povo Mura (Foto: Amazônia Real/Alberto César Araújo)

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14 Novembro 2022

“A região amazônica é o principal reservatório global de carbono; suas florestas desempenham um papel fundamental no ciclo do carbono atmosférico e na manutenção do equilíbrio de CO2 na atmosfera do planeta.” (CEPAL 2013. Amazônia possível e sustentável.)

A reportagem é publicada por EcoDebate, 11-11-2022

Segundo dados da Organização Meteorológica Mundial, “o desmatamento na Amazônia brasileira dobrou em relação à média de 2009-2018 e atingiu seu maior nível desde 2009. No ano passado, houve um aumento de 22% de área florestal perdida em relação a 2020”.

Outras pesquisas indicam que no período 2010-2018 a Amazônia – especialmente a parte sudeste da selva brasileira – gerou 18% mais CO2 do que é capaz de transformar em oxigênio. Diante de um cenário tão crítico, é urgente que governos, corporações, financiadores e a comunidade internacional atuem para frear as causas por trás do avanço do desmatamento e da destruição do solo e dos bens comuns, reduzindo, principalmente o impacto das indústrias extrativas (petróleo, gás e mineral), de atividades ligadas à expansão do agronegócio e da pecuária.

É fundamental enfrentar o avanço da construção de grandes infraestruturas, como hidrelétricas ou rodovias que destroem reservas indígenas e naturais. Isso causa não apenas o fim das florestas, mas dinâmicas de violência particularmente graves para os povos indígenas e comunidades locais, que, em defesa de seus territórios, veem seus modos de vida e o exercício de seus direitos afetados.

Pedimos às autoridades presentes na COP 27 a passar do compromisso à ação, considerando a urgência de avançar em um quadro efetivo de ações para reduzir o desmatamento e consolidar programas que detenham a ameaça ao território amazônico e dignifiquem a vida nesta região. É fundamental eliminar progressivamente os combustíveis fósseis e evitar que os compromissos assumidos em termos de zero emissões líquidas de carbono sejam usados como “maquiagem verde” (greenwashing) para as corporações, gerando o aumento dos conflitos, da fome e o aprofundamento das desigualdades na região amazônica.

Às comunidades amazônicas é preciso garantir sua participação e o exercício efetivo aos seus direitos, em tudo relacionado às políticas e aos programas de ação climática e ao seu empoderamento. É fundamental que sejam implementados apoios à prevenção e resposta das populações locais face às emergências climáticas, respeitando a sua autonomia e garantindo um sistema de financiamento de perdas e danos, independentemente dos compromissos já assumidos na mitigação e adaptação dessas práticas.

Precisamos agir AGORA se quisermos impedir uma das maiores catástrofes do planeta. Sem a Amazônia não há FUTURO.

Veja a declaração da Oxfam sobre Amazônia e COP27.

A Amazônia se aproxima de um ponto sem retorno. Danos irreversíveis estão acontecendo agora, em escala planetária.

Notas

O desmatamento na floresta amazônica brasileira dobrou em relação à média de 2009-2018 e atingiu seu nível mais alto desde 2009. Em 2021, 22% a mais de área florestal foi perdida em comparação com 2020. Organización Meteorológica Mundial (OMM) titulado “El estado del clima en América Latina y el Caribe 2021”. Disponivel aqui.

Desde a aprovação da Moção 129 do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)24, a RAISG atualizou a série de dados de 36 anos (1985-2020) correspondente à mudança no uso da terra e cobertura florestal. O resultado é que, até 2020, 26% da Amazônia passou por uma transformação: 20% do território havia sofrido mudanças irreversíveis (164 milhões de hectares), e 6% da região passou por alta degradação (54 milhões de hectares). Amazonía Contrarreloj. Disponível aqui.

Sobre o impacto na fixação de CO2 na Amazônia, ver: Gatti, L. V., Basso et. al. (2021). Amazonia as a carbon source linked to deforestation and climate change. Nature Magazine, 595(7867), 388-393. Disponível aqui.

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